Israel mata 60 em escola no dia em que fala de solução diplomática para crise

Saud Abu Ramadan. Gaza, 6 jan (EFE).- Pelo menos 60 pessoas, em sua maioria civis, morreram por fogo israelense nesta terça-feira na Faixa de Gaza, dia em que, pela primeira vez, o Estado judeu falou da possibilidade de alcançar uma solução diplomática para a atual entre palestinos e israelenses.

EFE |

A maioria das mortes de hoje foi resultante de disparos da artilharia de Israel contra uma escola da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNRWA) no campo de refugiados de Jebalia, a qual abrigava centenas de deslocados pela invasão terrestre que Israel iniciou no sábado na faixa territorial palestina.

Moaweya Hasanein, chefe do serviço de emergências e ambulâncias de Gaza, disse à Agência Efe que os disparos mataram 46 pessoas e feriram mais de cem, ao passo que a UNRWA divulgou um balanço de 30 mortos.

O ataque desta terça-feira foi o segundo em 24 horas cometido pelo Exército israelense contra uma escola da ONU, que nos últimos dias habilitou 11 centros para abrigar civis palestinos.

"Não há nenhum lugar seguro em Gaza. Todos estão aqui aterrorizados e traumatizados", disse John Ging, uma das maiores autoridades das Nações Unidas na Faixa de Gaza, à agência palestina independente "Ma'an".

Testemunhas disseram que o bombardeio sobre a escola aconteceu pouco depois que, na mesma região, milicianos palestinos dispararam morteiros contra as forças israelenses, argumento usado pelas tropas israelenses para justificar o ataque.

"Não é esta a primeira vez que o Hamas dispara morteiros e foguetes de escolas, usando civis como escudos humanos", disse o Exército de Israel em um comunicado.

A UNRWA assegura que, para evitar tragédias como essa, repassou a Israel as coordenadas de todas as suas instalações em Gaza, as quais, segundo a agência, estão todas claramente identificadas com as letras "UN", iniciais em inglês de "Nações Unidas".

As vítimas do ataque à escola se uniram às mortes, horas antes, de 12 palestinos de uma mesma família - entre eles seis crianças de entre 1 e 9 anos -, cuja casa na Cidade de Gaza foi atingida por outro projétil da artilharia israelense.

Segundo Hasanein, já são cerca de 650 os palestinos mortos desde 27 de dezembro, ao passo que os feridos são aproximadamente 2,6 mil.

Nesta terça-feira, o Exército de Israel perdeu seu sexto soldado desde o começo da ofensiva. A morte do militar aconteceu em um tiroteio com milicianos palestinos nos arredores da Cidade de Gaza, que continua cercada pelo Exército.

As forças israelenses, que dividiram a faixa territorial em duas partes, avançaram em direção aos núcleos urbanos de Khan Yunes e Dir el-Balah, na parte sul, embora não tenham tentado ocupá-las.

Em meio ao derramamento de sangue, os esforços para um possível cessar-fogo parecem começar a surtir efeito, a julgar por declarações do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, nas quais, pela primeira vez, se mostrou aberto a uma "solução diplomática".

Em entrevista ao jornal "Ha'aretz", Olmert reconheceu que há "diferentes noções" sobre que seria "uma solução diplomática", e afirmou que está discutindo elas "com muitos líderes do mundo".

"O resultado deve ser um bloqueio efetivo, com supervisão e acompanhamento", da região conhecida como "'rota Filadélfia'", um corredor na fronteira entre Egito e Gaza, sob o qual há dezenas de túneis pelos quais o Hamas se abastece de armas, munição e foguetes.

"Não começamos tudo isto para ocupar Gaza (de novo) ou matar todos os terroristas. Iniciamos (esta operação) para gerar uma mudança" em direção ao sul (de Israel), disse o chefe do Governo israelense.

A possível solução pode chegar pelas mãos do presidente da França, Nicolas Sarkozy, segundo o primeiro-ministro deste país, François Fillon.

"Há uma via, embora muito estreita, para se obter, graças à pressão do conjunto de atores, um cessar-fogo sobre o terreno", disse Fillon na Assembléia Nacional francesa.

Ontem, Sarkozy visitou Israel e o território palestino da Cisjordânia. Hoje, ele se encontrava em Damasco quando decidiu retornar ao Egito para sondar as perspectivas de um possível acordo.

EFE sar/sc

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