Israel mantém pressão sobre o Hamas e mobiliza esforços

Israel mobilizou nesta segunda-feira novos reservistas e adiou a visita de um alto funcionário ao Egito para discutir um cessar-fogo na ofensiva contra o movimento radical Hamas na Faixa de Gaza, que segundo fontes palestinas já deixaram mais de 900 mortos.

AFP |

Quinze palestinos morreram na manhã desta segunda-feira em ataques israelenses ou em consequência dos ferimentos, elevando a 905 o número de mortos em 17 dias de campanha contra o Hamas, de acordo com o chefe dos serviços de emergências do território palestino, Muawiya Hasanein.

Entre os mortos há 277 crianças, 95 mulheres e 92 idosos. Além disso, mais de 3.950 palestinos foram feridos, de acordo com o médico.

O Exército de Israel bombardeou 12 objetivos na Faixa de Gaza durante a noite, o menor número de ataques desde o início da operação contra o Hamas em 27 de dezembro.

"A aviação atacou depósitos de armas nas casas de ativistas do Hamas, túneis de contrabando e elementos armados, afirmou um porta-voz militar,

No entanto, testemunhas afirmaram que os bombardeios da artilharia foram ouvidos durante toda a noite.

A imprensa israelense informou que o Exército começou a enviar reforços de reservistas para apooar as tropas na Faixa de Gaza, uma medida interpretada como a introdução de uma "terceira etapa" na ofensiva, com ações no centro das cidades e nos campos de refugiados.

De acordo com os meios de comunicação, o governo hesitava em autorizar a "terceira etapa", no momento em que se intesificam os pedidos de cessar-fogo, incluindo o do Conselho de Segurança da ONU, que exigiu o fim das hostilidades em uma resolução aprovada semana passada.

No campo diplomático, Israel adiou em um dia a visita ao Cairo de Amos Gilad,alto funcionário do ministério da Defesa que discutiria um eventual cessar-fogo em Gaza.

O Egito, que elaborou em coordenação com a França uma iniciativa de cessar-fogo, conversou no domingo com uma delegação do Hamas, que rejeitou alguns pontos do plano.

De acordo com a rádio pública israelense, o governo de Israel optou pelo adiamento da visita de Gilad para aumentar a pressão militar sobre o Hamas, no momento em que o Exército hebreu afirma ter afetado duramente o braço armado do grupo.

Israel alega que a ofensiva pretende acabar com os lançamentos de foguetes a partir da Faixa de Gaza, mas os palestinos dispararam mais 660 projéteis contra o sul do território hebreu desde 27 de dezembro, matando quatro pessoas.

Três foguetes foram lançados nesta segunda-feira, mas não provocaram vítimas.

A situação humanitária permanece trágica na Faixa de Gaza, onde um milhão de pessoas vivem sem energia elétrica, 750.000 carecem de água e os hospitais funcionam graças a geradores, segundo a ONU.

O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim defendeu nesta segunda-feira a urgência de um cessar-fogo na Faixa de Gaza e expressou a solidariedade do Brasil com o povo palestino, durante uma reunião com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, em Ramallah (Cisjordânia).

"A tarefa mais urgente neste momento é obter um cessar-fogo", declarou Amorim.

O chanceler defendeu a aplicação da resolução aprovada quinta-feira passada pelo Conselho de Segurança da ONU, que pede principalmente uma trégua e a abertura das passagens de fronteira para enviar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Amorim está no Oriente Médio para contribuir na mediação internacional no conflito.

"O Brasil quer manifestar seu sentimento de solidariedade com os palestinos, porque são os que mais estão sofrendo nesta guerra, e estimular os esforços internacionais para alcançar a paz", declarou.

O chanceler, que mais cedo havia se reunido com o colega palestino, Raid Malik, insistiu na iniciativa do Brasil de organizar uma conferência multilateral para abordar o conflito israelense-palestino em seu conjunto, ao fim da guerra na Faixa de Gaza.

"O Brasil é favorável à continuidade do processo de Annapolis", disse a respeito da reunião na cidade americana em novembro de 2007 que marcou a retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos, com a meta de criar um Estado palestino.

No entanto, Amorim também defendeu uma "conferência de alto perfil político" que dê um novo estímulo ao processo de paz.

O chanceler iniciou a viagem no domingo em Damasco, onde se reuniu com o presidente sírio Bashar al-Assad e seu colega Walid Muallem. No mesmo dia se encontrou em Jerusalém com a chanceler israelense, Tzipi Livni.

Na terça-feira ele viajará para a Jordânia para um encontro com o rei Abdullah II e participar na cerimônia de entrega de 14 toneladas de ajuda humanitária que o Brasil doará aos palestinos da Faixa de Gaza.

Em Washington, o presidente eleito Barack Obama anunciou que criou uma equipe para dispor, a partir de sua posse em 20 janeiro, "das melhores pessoas possíveis que que poderão comprometer-se imediatamente no processo de paz no Oriente Médio em seu conjunto".

bur-ezz/fp

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