Israel libertará 200 presos palestinos para fortalecer imagem de Abbas

Jerusalém - Israel decidiu neste domingo libertar cerca de 200 prisioneiros palestinos para tentar fortalecer a imagem pública do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e transmitir a mensagem de que o diálogo é mais rentável que a luta armada.

EFE |

"Trata-se de um gesto para reconstruir a confiança, de uma tentativa para fortalecer os moderados na ANP e o processo de paz", disseram fontes do Gabinete do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ao explicar a decisão.

Entre os presos que serão libertados há que, segundo Israel, "têm as mãos manchadas de sangue", termo com o qual se definem palestinos envolvidos na morte de israelenses.

Um deles perpetrou o ataque, enquanto o segundo o ordenou aos reais autores.

Os dois, condenados à prisão perpétua, cumpriram até agora mais de 30 anos de cadeia cada um em presídios israelenses, disseram fontes palestinas à Agência Efe.

A decisão do Conselho de Ministros foi aprovada com a oposição dos três representantes do partido ultra-ortodoxo Shas, e a do ministro dos Transportes e candidato a substituir Olmert como líder do Kadima, Shaul Mofaz.

Principal adversária de Mofaz na luta pela chefia do partido e, portanto, do Governo israelense, a ministra de Assuntos Exteriores Tzipi Livni apoiou a iniciativa, com o argumento de que é necessário transmitir uma nova mensagem aos palestinos.

"Quando Israel liberta prisioneiros só por pressão de grupos que empregam a força contra nós, transmite a mensagem de que se rende às pressões e que o uso da força armada e os seqüestros são a única via possível para lidar conosco", afirmou Livni em uma nota à imprensa.

No mês passado, Israel libertou cinco libaneses e entregou 200 corpos de milicianos do movimento xiita Hisbolá em troca dos restos mortais de dois soldados israelenses.

No início deste mês, também libertou cinco jovens palestinos como parte dessa troca.

O Executivo israelense vem negociando há meses com o movimento islâmico Hamas a libertação do soldado Gilad Shalit, cativo em Gaza desde junho de 2006 em troca de centenas de palestinos presos em Israel.

A ANP tem se queixado em várias ocasiões que o que Israel está fazendo é pôr Abbas em interdição, ao conceder o crédito da liberdade de presos aos grupos extremistas e não ao presidente palestino.

Nesse sentido, Livni destaca que "aquele que liberta presos somente do Hamas está fortalecendo" esse movimento.

"Fazer o mesmo com setores pragmáticos moderados da ANP como parte das negociações de paz é uma política inteligente", conclui a chanceler israelense em sua nota.

Israelenses e palestinos retomaram as negociações de paz em novembro de 2007 na Conferência de Annapolis (Estados Unidos), com o objetivo de estabelecer as bases de um Estado palestino até o final do ano.

No entanto, Abbas já vinha solicitando a Israel que fizesse libertações em massa de presos palestinos para, com isso, obter o apoio da população à opção negociadora.

Há cerca de 11 mil palestinos nas prisões israelenses, dos quais 9 mil são considerados "presos políticos" - os demais são criminosos comuns - pela ANP, cuja postura é que estes últimos sejam libertados, sem exceção, antes da assinatura de um acordo de paz.

Por enquanto, não foi informado quando serão libertados os cerca de 200 presos, mas fontes palestinas não quiseram fazer qualquer comentário antes de receber uma notificação oficial por parte de Israel.

Entretanto, as fontes destacaram que estavam a par da reunião do Governo israelense, mas que eles esperavam que o número de candidatos à libertação fosse de 250.

Além disso, segundo um comunicado divulgado pelo escritório do primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, após uma reunião no final da noite de ontem em Tel Aviv com o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, a ANP tinha pedido a inclusão na lista de Marwan Barghouti, preso por Israel desde 2002 e eventual substituto de Abbas à frente do Fatah.

A prudência na reação da ANP contrasta com a rejeição quase imediata do Hamas, que denunciou em comunicado emitido em Gaza que a maioria dos que voltaram à liberdade são membros do Fatah, e chamaram a decisão israelense de "uma tentativa de dividir o povo palestino".

Leia mais sobre: Israel

    Leia tudo sobre: israel

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG