Netanyahu derruba medida estabelecida no início do mês em retaliação à adesão da Autoridade Palestina à Unesco

Israel decidiu nesta quarta-feira liberar o dinheiro de impostos palestinos que estava retido desde que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) obteve a admissão na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) , há um mês, informou uma autoridade do governo.

Leia também:
- Palestinos obtêm status de membro pleno da Unesco
- Israel suspende repasse a palestinos e cancela contribuição à Unesco


Em Paris, delegados aplaudem após votação que deu aos palestinos o status de membro pleno da Unesco (31/10)
AP
Em Paris, delegados aplaudem após votação que deu aos palestinos o status de membro pleno da Unesco (31/10)


O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, sob pressão internacional, decidiu descongelar os fundos, no valor de cerca de US$ 100 milhões por mês, que Israel recolhe em nome da ANP.

O dinheiro, que inclui impostos sobre produtos importados para os territórios palestinos, é vital para o pagamento das despesas públicas da ANP.

Israel congelou a transferência dos impostos em 1º de novembro, um dia depois de os palestinos ganharem a adesão à Unesco - apesar da objeção de Israel e dos EUA -, como parte de sua campanha para o reconhecimento de um Estado pela ONU , na ausência de negociações de paz.

Saiba mais:
- Abbas entrega à ONU pedido de reconhecimento de Estado palestino
- EUA anunciam corte de fundos à Unesco após adesão palestina


No dia 14, o gabinete de Netanyahu reforçou a medida e votou pela continuação do congelamento do repasse.

Os acordos de Paris de 1994 estabelecem o recolhimento por Israel dessas taxas, que representam dois terços das receitas orçamentárias da Autoridade e permitem pagar mais de 150 mil funcionários públicos palestinos, cuja massa salarial representa cerca de US$ 160 milhões. O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, disse que a ANP não seria capaz de pagar os salários esse mês se Israel não liberasse o dinheiro.

O funcionário do governo israelense afirmou que o gabinete de Netanyahu decidiu que as receitas fiscais de outubro e novembro seriam entregues à Autoridade Palestina.

Segundo o jornal israelense Haaretz, uma autoridade do governo disse que Netanyahu iria considerar voltar a congelar o dinheiro de impostos no futuro se os palestinos continuarem suas tentativas por reconhecimento de um Estado na ONU ou no caso da formação de um gabinete único entre o Fatah e o Hamas.

Em maio, o presidente da ANP, Mahmud Abbas, e o líder do Hamas, Haled Mashal, assinaram um acordo de reconciliação após quatro anos de cisão entre os grupos. Na semana passada os líderes se reuniram e disseram que reduziram suas diferenças e teriam aberto uma "nova página" nas relações. Apesar do otimismo, não está claro se foi feito algum progresso em direção à implementação de um governo de união nacional, previsto anteriormente no acordo.

Leia também: Sem anunciar governo, Hamas e Fatah celebram 'nova página' nas relações

As negociações de paz entre israelenses e palestinos estagnaram logo depois de serem retomadas em setembro de 2010 devido a uma disputa sobre a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Após a admissão palestina à Unesco, Netanyahu ordenou que a colonização em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada fosse acelerada.

Com Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.