Israel levará negociações ao fracasso com colonização, diz Abbas

Abbas fez tal declaração quatro dias antes da retomada das conversações diretas de paz com Israel

iG São Paulo |

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, afirmou neste domingo que Israel será totalmente responsável pelo fracasso das negociações de paz caso retome a colonização na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém oriental.

"Devo dizer isto hoje, com toda clareza e franqueza, o que já afirmamos a todas as partes, incluindo aos Estados Unidos, que promovem as negociações: o governo de Israel assumirá a plena responsabilidade pelo fracasso nas negociações se persistir com a colonização nos territórios palestinos ocupados em 1967", advertiu Abbas em mensagem na TV oficial palestina.

Abbas fez tal declaração quatro dias antes da retomada, em Washington, das conversações diretas de paz com Israel, suspensas há 20 meses.

Netanyahu

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, assegurou em seu último conselho de ministros antes de reiniciar nos Estados Unidos as negociações com os palestinos, que viaja para Washington com a intenção de "alcançar uma paz duradoura e não só um cessar-fogo temporário".

"Estou convencido de que a liderança palestina levará as negociações tão a sério como nós, poderemos alcançar um acordo estável e não só um pacto para cessar-fogo tático entre duas guerras", disse aos ministros o chefe do Governo, segundo um comunicado de seu escritório.

O objetivo dele diante das conversas de paz, que serão relançadas na próxima quinta-feira após um ano e meio de estagnação, será o de: "alcançar uma paz baseada no reconhecimento, na segurança, na estabilidade e na prosperidade econômica entre os dois povos, para nós e para nossos filhos", declarou.

Netanyanhu reiterou os três pontos principais das negociações: o reconhecimento de Israel como estado nacional do povo judeu, o final definitivo do conflito e, portanto, de todas as reivindicações a Israel e o estabelecimento de medidas que garantam a segurança do estado.

Isso exigirá medidas que assegurem que "não vai se repetir em Judéia e Samaria (Cisjordânia) o que ocorreu no Líbano e na Faixa de Gaza", em referência às retiradas unilaterais desses territórios em 2000 e em 2005.

Em ambos os casos, duas organizações armadas hostis a Israel e classificadas como terroristas neste país e também para os Estados Unidos e a União Europeia (Hisbolá e Hamas, respectivamente) assumiram o controle do território evacuado, o que depois se traduziu em inúmeras hostilidades fronteiriças.

O chefe do Executivo israelense e líder do partido conservador Likud não fez referência alguma à demanda palestina sobre paralisar as construções nas colônias judias na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, primeiro empecilho ao diálogo de paz.

Em 26 de setembro, poucas semanas após Netanyahu sentar à mesa de negociação com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, conclui a pausa parcial na ampliação dos assentamentos na Cisjordânia declarada por Israel há nove meses para criar um clima que conduzisse ao reinício do diálogo.

Netanyahu se mostrou publicamente contrário à renovação da moratória e não apoiou a proposta de seu vice-primeiro-ministro Dan Meridor que defendeu a paralisação das construções nas colônias fora dos três grandes blocos de assentamentos que Israel mantém sob sua soberania em qualquer acordo de paz e onde vivem a maioria de colonos.

O primeiro-ministro é totalmente contrário a qualquer prorrogação da moratória e o mesmo foi sustentado por vários ministros do Likud e do partido ultranacionalista Israel Beiteinu.

Temendo decisões não pactuadas com os demais ministros, Silvan Shalom, vice-primeiro-ministro e contrário à prorrogação, exigiu hoje a Netanyahu que mantenha atualizado o Governo sobre "qualquer desenvolvimento" nas conversas de Washington.

Os palestinos advertiram que deixarão a mesa das negociações se Israel não renovar a cessação das construções, que, sem ser absoluto nem incluir Jerusalém Oriental, desacelerou nos últimos meses o crescimento dos mais de 200 assentamentos em território palestino ocupado.

"É um compromisso assumido por Israel em acordos anteriores... e tem de ser cumprido", considerou o presidente palestino em entrevista concedida ontem à TV iemenita.

Como parte dos preparativos para a reativação do diálogo de paz, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, foi hoje a Amã para reunir-se com o rei da Jordânia, Abdullah II, que a convite de Washington participará do relançamento das negociações, junto com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

O encontro é "uma tentativa de avançar no processo de paz nas complexas relações entre Israel e seus vizinhos", diz um comunicado do escritório de Barak, que destaca que a paz é "um objetivo estratégico" e espera que os palestinos cheguem às negociações "com os corações abertos".

Um comunicado da casa real jordaniana informa que "as discussões serão centradas nos meios para garantir o êxito das conversas diretas" e que "sejam abordadas todas as questões sobre o estatuto definitivo.. para levar a cabo a solução dos dois Estados".

*com informações da EFE e AFP

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