Israel lembra vítimas do Holocausto perto de seu 60º aniversário de criação

Daniela Brik Jerusalém, 30 abr (EFE) - Israel lembra as vítimas do nazismo em uma ocasião solene que começou esta noite com uma cerimônia no Museu do Holocausto de Jerusalém (Yad Vashem), às vésperas do 60º aniversário da fundação do Estado Judeu. Sob o lema Sobreviventes do Holocausto em Israel-60 Anos desde o estabelecimento do Estado, o museu Yad Vashem de Jerusalém quis homenagear este ano os sobreviventes do extermínio em massa de judeus que conseguiram se radicar no país. Com a atenção mais voltada à celebração dos 60 anos de criação do país, na próxima semana, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que, ao contrário do que alguns pensam, o Estado de Israel não se estabeleceu unicamente como conseqüência da Shoah, como o Holocausto é conhecido em hebraico. Olmert disse que a criação do Estado de Israel significou a concretização do direito do povo judeu de existir como uma nação independente, que deve servir de defesa e refúgio do Judaísmo no mundo todo. Pouco antes, o presidente israelense, Shimon Peres, que perdeu parte de sua família no Holocausto, pediu à comunidade internacional impedir que uma tragédia similar volte a ocorrer e que redobre seus esforços para evitar que o Irã se transforme em uma potência nuclear. Peres perguntou o que teria acontecido se Hitler tivesse tido a seu alcance armas nucleares, em alusão ao regime iraniano, cujo presidente, Mahmoud Ahmadinejad, evidenciou algumas vezes seu desejo de destrui...

EFE |

Fotografias em preto e branco, depoimentos e lembranças dos sobreviventes ou cantos e orações emocionados marcaram a cerimônia, enquanto as seis tochas simbolizavam a lembrança dos ausentes, alguns de cujos nomes não poderão ser recuperados nunca.

Como ponto final, o rabino sefardita de Israel, Shlomo Amar, foi o responsável por recitar o "Kadish", a oração fúnebre judia, após o que, como encerramento do ato, foi cantado o hino nacional de Israel, a "Hatikva" ("A esperança"), com o público de pé.

Milhares de pessoas lotaram a Praça do Gueto de Varsóvia do museu neste tributo aos seis milhões de judeus e outras vítimas do regime nazista entre 1939 e 1945, que iniciou uma macabra iniciativa conhecida como "Solução Final", cujo objetivo era eliminar da Europa qualquer rastro de judaísmo.

A cerimônia desta noite segue a inauguração de uma exposição em Yad Vashem que, pela primeira vez, mostra de forma colorida e realista a contribuição dos sobreviventes da "Shoah" à construção do Estado de Israel.

Seus vestígios "podem ser encontrados em todos os campos de atividade: acadêmico, artístico, criativo, esportivo", resumiu o diretor do museu, Avner Shalev.

Ele apresentou a exposição onde ficam evidentes as conquistas e produtos com cujo desenho os sobreviventes ajudaram a levantar, há quase 60 anos, um país recém-nascido.

As comemorações continuarão amanhã às 10h (4h em Brasília), quando as sirenes antiaéreas soarão em Israel para lembrar as vítimas, enquanto nos colégios e centros culturais e oficiais serão convocados atos de luto.

O Museu do Holocausto, visita obrigatória para as personalidades políticas de Governos estrangeiros, conserva os nomes de três milhões das vítimas do Holocausto, mortas nos guetos e nas câmaras de gás dos campos de extermínio, assim como as penúrias e doenças que eles sofreram nos campos de concentração e trabalho.

Em março, a instituição recebeu a visita da chanceler alemã, Angela Merkel, que encerrou uma viagem oficial a Israel com um discurso no Parlamento (Knesset), onde manifestou que o Holocausto "enche de vergonha o povo alemão". EFE db/db

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