Israel lembra o Holocausto indignado com declarações de Ahmadinejad

Os israelenses pararam nesta terça-feira por dois minutos ao som das sirenes para recordar as seis milhões de vítimas do Holocausto nazista, indignados pela diatribe do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad contra o Estado hebreu na segunda-feira em uma conferência da ONU sobre racismo.

AFP |

Às 10h00 locais, os pedestres interromperam os passos e os motoristas desceram de seus veículos.


Motoristas param para os dois minutos de silêncio em Israel / Foto: AP

A principal cerimônia do Dia do Holocausto acontece no Memorial Yad Vashem de Jerusalém. No Parlamento e nas escolas serão lidos os nomes das vítimas.

A recordação é marcada neste ano pelo discurso de Ahmadinejad contra Israel na abertura, segunda-feira em Genebra, da Conferência sobre o Racismo, chamada de " a iraniana.

Ahmadinejad, cujo país desenvolve um polêmico programa nuclear, já ameaçou "apagar Israel do mapa" e considera o Holocausto um "mito".

Na segunda-feira ele acusou os ocidentais de terem enviado "emigrantes da Europa, Estados Unidos e do mundo do Holocausto para estabelecer um gobierno racista na Palestina ocupada".

Também acusou Israel de ter "privado de terras uma nação inteira com o pretexto do sufrimento judaico".

A imprensa israelense denuncia unanimemente o ódio de Ahmadinejad e cita uma frase do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu: "Não permitiremos que os que negam o Holocausto cometam um segundo".

O presidente israelense, Shimon Peres, afirmou que a conferência "avalizou o racismo ao invés de combater o mesmo". Também denunciu "os que atacam o único país no mundo criado para servir de refúgio aos sobreviventes do Holocausto, o único país que impedirá outro (Holocausto)".

O vice-premier israelense, Silvan Shalom, comparou o atual regime iraniano com a Alemanha de Hitler, antes do início de uma cerimônia pelas víctimas do Holocausto no antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau (Polônia).

"O que o Irã tenta fazer atualmente não é muito diferente do que Hitler fez com o povo judeu há 65 anos", afirmou.

Shalom declarou ainda à rádio pública que o programa nuclear do Irã constitui uma ameaça para Israel e para o mundo.

"Com seus mísseis de longo alcance, o Irã pode atacar Londres, Paris, Berlim, Roma e o sul da Rússia", advertiu.

Além de Israel, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália, Holanda, Austrália, Nova Zelândia e Polônia se negaram a participar na Conferência sobre o Racismo de Genebra por recear declarações contra Israel.

Durante o discurso de Ahmadinejad, os 23 embaixadores da União Europeia (UE) presentes abandonaram a sala em sinal de protesto.

A República Tcheca, que atualmente preside a UE, decidiu se retirar definitivamente da conferência.

Israel convocou para consultas seu embaixador na Suíça para protestar contra a recepção oferecida pelo presidente suíço Hans-Rudolf Merz a Ahmadinejad e criticou a reunião do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com o iraniano.

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