Israel lança ofensiva diplomática contra acusações da ONU

O governo de Israel iniciou uma ampla ofensiva diplomática para rebater as acusações feitas pela ONU de que o Exército israelense cometeu crimes de guerra durante os ataques à Faixa de Gaza, em janeiro. A comissão do Conselho de Direitos Humanos da ONU investigou os eventos ocorridos durante a chamada Operação Chumbo Fundido, e concluiu que o Exército israelense cometeu crimes de guerra contra a população palestina da Faixa de Gaza.

BBC Brasil |

Em relatório, a comissão afirmou que Israel usou projéteis com fósforo branco contra civis - arma proibida pela lei internacional -, e destruiu a infraestrutura civil da região de maneira indiscriminada.

Para rebater o relatório, os principais líderes do país deverão telefonar para seus interlocutores nos países-membros do Conselho de Segurança da ONU e tentar convencê-los de que o documento seria tendencioso.

O premiê Benjamin Netanyahu, o presidente Shimon Peres, o chanceler Avigdor Lieberman e o ministro da Defesa, Ehud Barak, deverão participar ativamente dos esforços para impedir que o relatório da comissão, liderada pelo juiz sul-africano Richard Goldstone, seja levado ao Conselho de Segurança da ONU e, de lá, para a Corte Internacional de Haia.

Os esforços diplomáticos serão dirigidos principalmente aos membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, China, Rússia, Grã-Bretanha e França.

A comissão da ONU também concluiu que forças de segurança palestinas cometeram crimes de guerra no conflito.

'Parcial'

O relatório acusa as tropas israelenses de "atos de punição coletiva" contra a população de Gaza.

O governo de Israel rejeitou totalmente as acusações e classificou a comissão como "parcial e tendenciosa".

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yossi Levy, afirmou que "Israel condena o relatório e o considera um episódio vergonhoso na história do Direito Internacional".

O governo de Israel se recusou a cooperar com os integrantes da comissão à época das investigações. Segundo um comunicado do ministério, "Israel não se julgou capaz de cooperar com a Missão Goldstone, uma vez que seu mandato era claramente unilateral e ignorou os milhares de ataques de mísseis contra a população civil ao sul de Israel, que tornou necessária a Operação em Gaza".

'Comissão independente'

Em resposta ao relatório da ONU, nove organizações não-governamentais israelenses de defesa dos direitos humanos assinaram um comunicado exigindo a criação de uma comissão independente em Israel, para investigar as ações militares durante a Operação Chumbo Fundido.

No comunicado, as ONGs cobram do Estado de Israel a condução de uma investigação "independente e imparcial" e que o governo de Israel responda ao conteúdo do relatório "abrindo mão de sua política de colocar em dúvida a credibilidade de qualquer um que não adote a narrativa oficial".

O pedido das ONGs foi rejeitado pelo procurador-geral da Justiça, Meni Mazuz, que afirmou que as investigações feitas pelo próprio Exército são "suficientes".

As conclusões da comissão da ONU causam preocupação no país.

De acordo com o colunista Boaz Akun, do jornal Yediot Ahronot, "processos criminais podem ocorrer em todos os países-membros da Convenção de Genebra contra qualquer acusado de cometer crimes de guerra".

"Qualquer oficial que viajar para um dos países-membros da Convenção - quase o mundo inteiro - pode estar exposto a um processo criminal", afirma o colunista.

"E não só os oficiais do Exército - a imunidade de chefes de Estado vem se evaporando desde a tentativa de processar Pinochet, o ex-presidente chileno, na Espanha", conclui Akun.



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