Saúd Abú Ramadán. Gaza, 29 dez (EFE).- A Força Aérea israelense continuou hoje pelo terceiro dia consecutivo seus bombardeios na Faixa de Gaza, que já mataram 345 pessoas e feriram cerca de 1.

600, segundo dados do Ministério da Saúde desse território palestino.

Os ataques foram retomados de madrugada, quando os caças israelenses lançaram novos explosivos que mataram um homem, duas mulheres e um bebê de um ano, em um edifício do campo de refugiados de Jabalya, no norte de Gaza.

Segundo fontes médicas locais, dois adolescentes e outra criança da mesma família também morreram pelo bombardeio de um F-16 israelense na cidade de Rafah, no sul de Gaza.

No meio da tarde, outros cinco palestinos - quatro milicianos e o filho de um deles - também morreram.

O ataque tinha como principal alvo Riad Abu Ter, membro destacado das Brigadas al Quds (braço armado da Jihad Islâmica) e cujo veículo foi atingido ao leste de Khan Yunes.

Uma porta-voz do Exército israelense disse à Agência Efe que os principais alvos dos últimos ataques foram "edifícios vinculados ao Hamas (movimento islâmico), como centros de armazenamento e fabricação de armas, túneis, plataformas de lançamento de foguetes e armazéns".

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), pelo menos 89 das vítimas mortais em Gaza nos três dias de bombardeios eram civis, dos quais 20 eram menores.

Na última madrugada, a aviação israelense destruiu parte da Universidade Islâmica, vinculada ao Hamas e localizada no oeste da Cidade de Gaza, segundo testemunhas.

Os residentes no bairro de Remal ouviram quatro grandes explosões que causaram pânico na região e fizeram surgir colunas de fumaça.

Vários edifícios do campus feminino com laboratórios químicos ficaram destruídos, enquanto imóveis localizados nas proximidades foram seriamente danificados.

O Exército israelense defende que se tratava de um "centro de desenvolvimento e pesquisa de armas" utilizado para fabricar foguetes Qassam.

O bloco pacifista israelense Gush Shalom denunciou hoje em comunicado a utilização de "uma reconhecida instituição acadêmica" para fins militares.

O escritório do chefe do Governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, também foi bombardeado ontem à noite, segundo o Exército israelense.

O dirigente islâmico não se encontrava no escritório, já que todos os líderes do Hamas passaram à clandestinidade desde que começou a onda de ataques, que poderia resultar em uma incursão terrestre.

Israel enviou infantaria e tanques para as proximidades de Gaza e o Conselho de Ministros do Governo liderado por Ehud Olmert aprovou a mobilização de 6.500 reservistas.

As milícias palestinas lançaram hoje mais foguetes contra o sul de Israel, e um deles matou um operário árabe e feriu algumas pessoas na cidade de Ashkelon, a cerca de 20 quilômetros de Gaza.

Segundo dados do Exército israelense, cerca de 200 foguetes foram disparados contra as regiões próximas à Faixa de Gaza desde o início da ofensiva, com um saldo de dois mortos.

Além disso, um operário palestino feriu quatro israelenses - um deles de forma grave - ao apunhalá-los no assentamento de Kiryat Sefer, em território cisjordaniano, informou a Polícia.

Trata-se, aparentemente, do primeiro ato de vingança fora de Gaza por causa da operação israelense.

Enquanto isso, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) anunciava a suspensão das negociações de paz com Israel.

Segundo o chefe da equipe negociadora, Ahmed Qorei, "é impossível manter negociações com Israel enquanto seu Exército" estiver cometendo massacres contra o povo de Gaza.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, pediu unidade às distintas facções palestinas e afirmou que discutirá com todos os líderes, incluídos os do Hamas, a situação em Gaza, que classificou de "trágica" e "desesperadora". EFE sar/ab/jp

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