Israel lança novos ataques aéreos contra Gaza

Pelo menos 282 palestinos morreram e 900 ficaram feridos no bombardeio aéreo israelense iniciado sábado na Faixa de Gaza e que continuou esta madrugada com cerca de 20 ataques, informaram fontes médicas palestinas.

Redação com agências internacionais |

Aviões israelenses realizaram novos bombardeios na Faixa de Gaza, um dia após uma série de ataques contra alvos no território palestino. Os novos ataques, neste domingo, alvejaram, entre outros locais, um prédio do governo do grupo islâmico palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Pelo elevado número de vítimas, a operação representa o mais sangrento ataque israelense contra os palestinos desde a Guerra dos Seis Dias de 1967.

Imagens exibidas pela TV mostraram cenas de caos nas ruas da Faixa de Gaza e pessoas ensangüentadas sendo levadas para hospitais.

Funcionários do principal hospital de Gaza disseram que as salas de cirurgia estão superlotadas, que os remédios estão acabando e que não há cirurgiões suficientes.

Fontes médicas em Gaza disseram ainda que a maioria das vítimas dos ataques são policiais ligados ao Hamas, mas haveria também mulheres e crianças.

O governo israelense alertou que poderá iniciar operações militares por terra na Faixa de Gaza, se os disparos com foguetes por militantes palestinos contra alvos no sul de Israel não cessarem.

Em entrevista à BBC, o ministro da defesa de Israel, Ehud Barak, disse que uma invasão do Exército no território palestino poderia ser iniciada "se o (grupo militantes palestino) Hamas não mudar seu comportamento".

O Exército israelense ressaltou que a operação continua e será mantida "enquanto for necessário".

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, explicou que o Exército de seu país precisará de tempo para "completar sua missão" em Gaza, enquanto Barak ressaltou que "há um momento para tréguas e um momento para o combate, e agora é o momento do combate".

Em declarações à Efe, fontes da segurança israelense estimaram em mais de 210 o número de alvos dos bombardeios desde ontem, todos eles "parte da infra-estrutura terrorista do Hamas".

Sábado sangrento

Uma greve geral foi convocada nos territórios palestinos enquanto moradores da cidade de Gaza se preparam para realizar funerais.

O líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, acusou Israel de ter promovido "um massacre" e convocou uma nova intifada, ou levante, contra Israel.

Em resposta imediata aos ataques de sábado, militantes palestinos dispararam foguetes do tipo Qassam contra Israel, matando um israelense na cidade de Netivot, 20 km ao leste da Faixa de Gaza.

'Desastre'

Israel alega ter lançando os ataques como retaliação pelos ataques com foguetes lançados da Faixa de Gaza contra o sul de seu território. Militantes palestinos realizam esse tipo de ataque freqüentemente, e grande número de disparos foi efetuado nos últimos dias, causando vítimas do lado israelense.

Falando diretamente aos moradores de Gaza, Olmert enfatizou que o inimigo de Israel na ofensiva não é a população do território, mas o "Hamas, Jihad (Islâmico) e outras organizações terroristas".

"Eles trouxeram desastre para vocês, e eles tentaram trazer desastre para o povo de Israel, e é nosso objetivo comum realizar todo o esforço que for possível para pará-los."

Olmert e a chanceler israelense, Tzipi Livni, enfatizaram que as forças israelenses estão procurando minimizar o número de vítimas entre os civis - "muito embora isso seja difícil", disse Livni.

"Nós atacamos apenas alvos que são parte de organizações ligadas ao Hamas", disse Olmert.

Alvos

Os bombardeios atingiram várias áreas na Faixa de Gaza, visando os locais mais povoados: a Cidade de Gaza, Khan Younis e Rafah.

Em um comunicado, as forças armadas israelenses disseram que os ataques tiveram como alvo membros do Hamas responsáveis por operações de "terror", além de campos de treinamento de militantes e depósitos de armas.

A maioria das vítimas teriam sido atingidas na Cidade de Gaza e, entre os mortos, acredita-se que esteja Tawfik Jaber, diretor da polícia da Faixa.

Antes da coletiva, Livni disse que não havia outra alternativa a não ser lançar os ataques. "Nós estamos fazendo o que temos que fazer para defender nossos cidadãos", disse.

A TV israelense informou neste sábado que tropas israelenses estão se dirigindo para a fronteira com Gaza em preparação para a nova ofensiva. O acordo de cessar-fogo de seis meses entre Israel e o Hamas expirou no dia 19 deste mês. O Hamas culpou Israel pela não renovação do tratado, dizendo que o governo israelense não cumpriu a promessa de levantar o bloqueio à Faixa de Gaza.

Com o bloqueio, Israel permite a entrada de poucos itens na Faixa de Gaza, tornando a vida muito difícil para os palestinos. O governo israelense diz que ele é necessário para isolar e pressionar o Hamas.

Israel disse que chegou a começar a levantar as restrições, mas voltou atrás ao ver que os palestinos não estavam cumprindo o que prometeram, parar com os disparos de foguetes contra alvos israelenses e abandonar o contrabando de armas.

Reações

O Conselho de Segurança da ONU fez um apelo pelo fim imediato da violência na Faixa de Gaza.

Em uma sessão de emergência, o Conselho pediu que os dois lados envolvidos no conflito se empenhem para resolver a crise no território palestino, onde vivem um milhão e meio de pessoas, a grande maioria delas em situação precária, com escassez de alimentos, remédios e combustível.

A embaixadora de Israel na ONU, Gabriela Shalev, disse que Israel estava agindo para "proteger seus cidadãos de ataques terroristas". "Nenhum país iria permitir os contínuos ataques com foguetes contra sua população civil sem tomar as ações necessárias para impedir isso", disse ela.

O governo americano culpou o Hamas pela nova onda de violência na região.

"Nós condenamos de forma veemente os ataques repetidos com foguetes e tiros de morteiro contra Israel e consideramos o Hamas responsável por romper o cessar-fogo e pela retomada da violência. O cessar-fogo deve ser restaurado imediatamente e respeitado em sua integridade", diz um comunicado da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas - cuja facção política, o Fatah, foi afastada do governo da Faixa de Gaza pelo Hamas em 2007 - condenou os ataques e pediu calma.

O presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que os ataques israelenses foram assustadores e convocou uma reunião de emergência da organização para discutir a escalada da violência. A reunião deve ser realizada neste domingo, no Cairo.

"Agora estamos lidando com uma situação muito perigosa e real, uma grande tragédia humana... Haverá muitas vítimas em Gaza e os árabes precisam assumir uma posição", disse Moussa.

Com informações da BBC e da Efe

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