Israel lança novo ataque a Gaza após anúncio de cessar-fogo

Novo bombardeio eleva para dez número de palestinos mortos desde sábado, quando israelense morreu por foguete lançado de Gaza

iG São Paulo |

Apenas oito horas após a Jihad Islâmica ter anunciado um cessar-fogo , Israel lançou um novo ataque aéreo contra um grupo de milicianos. O bombardeio matou um militante e deixou outro gravemente ferido em Rafah, no sul de Gaza, elevando para dez o número de palestinos mortos desde sábado.

Leia também: Soldado israelense é solto em troca de 1.027 palestinos

AP
Menino para perto de carro queimado por um foguete lançado da Faixa de Gaza contra Israel

De acordo com fontes de segurança da região, as vítimas pertencem à facção armada da Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP) e tentavam disparar um projétil contra o território israelense no momento em que foram atingidos.

O incidente é o primeiro que viola desde o anúncio da trégua, conquistada com a ajuda da mediação egípcia. Nas últimas 24 horas, a Jihad perdeu nove de seus militantes em ataques israelenses similares em Gaza. Além disso, um civil israelense morreu no sábado pelo impacto de um foguete disparado do território palestino contra a cidade israelense de Ashkelon.

O premiê israelense Benjamin Netanyahu não havia respondido formalmente ao pedido de cessar-fogo. Em um comunicado divulgado na rádio de Israel, ele disse que o país "não quer que as coisas se deteriorem", mas se defenderia contra qualquer um que atacasse.

A violência começou no sábado, quando Israel atacou um campo de treinamento do braço armado do grupo islamita no sul de Gaza e matou cinco de seus militantes, entre eles Ahmed Sheikh Khalil, dirigente do grupo, e feriu outros três.

O Exército israelense informou em comunicado que o alvo do ataque foi "um esquadrão terrorista que se preparava para lançar foguetes de longo alcance" contra solo israelense e era responsável pelo disparo de foguetes Grad na quarta-feira, que não causaram vítimas. Desde quarta, mais de 30 foguetes e morteiros foram disparados contra o sul de Israel.

A Força Aérea de Israel também bombardeou seis áreas, que descreveu como "instalações terroristas", no sul e norte de Gaza, deixando quatro mortos e ferimentos graves em pelo menos dois militantes. Um porta-voz militar afirmou que os alvos atacados foram "um túnel terrorista e três centros de lançamento de foguetes no norte da faixa e dois centros de atividade terrorista no sul".

Os colégios em um raio de 40 quilômetros de Gaza fecharam suas portas por medo de que o lançamento de foguetes continuasse, e a Universidade de Ben Gurion, em Be'er Sheva, também suspendeu suas aulas.

As Forças Armadas de Israel desmantelaram durante o fim de semana duas baterias antifoguetes nas imediações do território palestino, uma perto de Be'er Sheva e outra em Ashdod, e conseguiram interceptar um foguete Grad e outros dois projéteis.

Esse é o terceiro aumento da tensão no sul de Israel com o desmembramento dessas baterias de intercepção de projéteis procedentes de Gaza. No final do agosto aconteceu outro aumento na violência, também com o envolvimento da Jihad Islâmica que terminou com uma trégua similar à anunciada neste domingo e intermediada pelo Egito.

Grupo menor

De acordo com analistas locais, o grupo Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não tem interesse em uma escalada dos confrontos com Israel e os ataques foram iniciativas da Jihad Islâmica, um grupo menor que é financiado pelo Irã.

A escalada da violência ocorreu poucos dias depois da implementação da primeira etapa do acordo de troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas, em que o soldado israelense Gilad Shalit foi libertado em troca da soltura de 477 detentos palestinos .

Em uma segunda etapa, dentro de dois meses, Israel deverá libertar mais 550 prisioneiros e, segundo analistas, o Hamas não tem interesse de criar um clima de violência que poderia prejudicar a implementação da segunda etapa do acordo.

O longo alcance dos foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza causa preocupação em Israel. Os foguetes do tipo Grad utilizados no sábado, diferentemente dos foguetes Kassam - que podem atingir um raio de apenas sete quilômetros - têm a capacidade de alcançar o centro do país e ameaçar Tel Aviv, a maior cidade de Israel.

Com BBC e EFE

    Leia tudo sobre: israeljihad islâmicahamasfaixa de gazaegitopalestinosgilad shalit

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG