Israel lamenta a morte de policiais egípcios, diz ministro

Titular da Defesa propõe investigação conjunta sobre morte de oficiais em ação israelense na 5ª; um israelense morre por foguete

iG São Paulo |

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, lamentou neste sábado a morte de policiais egípcios na fronteira entre o território israelense e a Península do Sinai, no Egito, e propôs examinar as circunstâncias do incidente com o Exército egípcio. O pedido de desculpas foi feito horas depois de o Egito ameaçar retirar seu embaixador de Israel em protesto pelas mortes.

AP
Centenas de egípcios gritam slongas anti-Israel em frente da embaixada israelense no Cairo, Egito

"Israel lamenta a morte de policiais egípcios durante o ataque na fronteira israelo-egípcia", declarou Barak. Na quinta-feira, três policiais do Egito foram mortos durante uma ação israelense em busca de militantes palestinos que lançaram uma série de atentados nos arredores da cidade de Eilat, no sul de Israel e perto da fronteira com o Egito, deixando oito israelenses mortos - seis civis, um policial e um soldado.

O Egito, porém, reagiu ao comunicado afirmando que o pedido de desculpas é insuficiente. "A declaração israelense foi positiva em sua superfície", mas não está à altura "da magnitude do incidente e do descontentamento egípcio com as ações israelenses", segundo um comunicado do governo divulgado pela agência oficial Mena.

Segundo o jornal americano The New York Times, Israel alega que os autores dos ataques em Eilat eram moradores da Faixa de Gaza que entraram no território israelense pela egípcia Península do Sinai, argumento que Cairo rejeita. De acordo com autoridades do Egito, guardas de segurança egípcios foram mortos a tiros durante a operação lançada por Israel na península para encontrar os autores dos ataques.

Israel acusa o Egito de ter perdido o controle da região após a queda do ex-presidente Hosni Mubarak , no início do ano. O ataque pode ser o mais sério contra Israel arquitetado de um território egípcio em décadas.

Segundo a Força Multinacional de Paz, posicionada no Sinai depois do tratado de paz entre Israel e Egito, de 1979, as forças israelenses violaram as regras vigentes ao entrar no Egito e efetuar disparos, indicou neste sábado a agência oficial egípcia Mena. "Israel cometeu duas violações: cruzou a fronteira e disparou do lado egípcio", segundo um relatório oficial da Força Multinacional.

O aumento de tensão com o Egito ocorreu enquanto, no fim deste sábado, palestinos de Gaza lançaram cerca de 70 foguetes no sul de Israel, matando um israelense e ferindo dezenas. O lançamento de foguetes, retomado após bombardeios israelenses ao território, ameaça escalar a já tensa situação entre Israel e os militantes desse território para um conflito total.

Retirada do embaixador

O porta-voz do governo do Egito, Mohammed Hegazy, disse à BBC que ainda não foi tomada uma decisão quanto à possível retirada do embaixador egípcio em Tel Aviv. A informação contraria notícias anteriores de que o Egito havia determinado a retirada de seu embaixador .

A tensão com o Egito representa um sério revés no relacionamento entre Israel e seu principal aliado no mundo árabe. No Oriente Médio, além do Egito, somente a Jordânia mantém relações diplomáticas com Israel. Na sexta-feira, o Egito fez uma queixa formal contra Israel, depois da morte de oficiais egípcios, e pediu investigação imediata, segundo a televisão estatal egípcia.

Neste sábado, centenas de manifestantes se reuniram na capital egípcia, Cairo, em frente à embaixada de Israel. Muitos dos ativistas pediram o fechamento da representação diplomática israelense e queimaram bandeiras do país.

Depois dos atentados de quinta-feira, Israel realizou uma série de ataques aéreos contra alvos na Faixa de Gaza. Em resposta, militantes palestinos voltaram a disparar foguetes contra Israel. A Liga Árabe fará uma reunião de emergência no domingo para discutir o ataque israelense contra a Faixa de Gaza, que deixou 15 palestinos mortos.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para que ponha fim aos bombardeios israelenses sobre Gaza. Abbas instruiu o embaixador palestino na ONU, Riyad Mansur, para que solicite a reunião de emergência, informou o negociador palestino Saeb Erekat, segundo a agência oficial Wafa.

A orientação de Abbas a seu representante diplomático em Nova York foi dada após o anúncio feito nesta madrugada pelo braço armado do movimento islâmico Hamas da suspensão da trégua acertada depois da operação Chumbo Fundido, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

*Com BBC, AFP e AP

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