Israel intensifica ataques; Ban Ki-moon vai ao Oriente Médio pedir cessar-fogo

GAZA - As tropas israelenses se aproximaram nesta terça-feira da Cidade de Gaza, capital da Faixa de Gaza, após terem atacado, na segunda-feira à noite, áreas periféricas da cidade com mais intensidade do que nunca desde o início da ofensiva e posterior invasão terrestre do território palestino, há 18 dias. Na quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, viaja ao Oriente Médio para conversar com líderes da região sobre os meios possíveis de se obter um cessar-fogo o quanto antes.

Redação com agências internacionais |


O embaixador da França na ONU, Jean-Maurice Ripert, disse que o Conselho de Segurança foi unânime em apoiar a viagem de Ban Ki-moon ao Oriente Médio. Ele desembarca no Cairo e, por uma semana, visitará Israel e territórios ocupados.

Segundo Jean-Maurice Ripert, que preside o Conselho, Ban pode "acelerar" a aplicação de resolução aprovada na semana passada na ONU, que pede "um cessar-fogo imediato, durável e plenamente respeitado, que leve a uma retirada total das forças israelenses". A resolução foi rejeitada por Israel e pelo Hamas.

"Pensamos que o momento (da visita de Ban Ki-moon) é o indicado. Há importantes iniciativas na região que podem ajudar", acrescentou Ripert, referindo-se, em particular, aos esforços do Egito para conseguir um acordo de trégua.

Ataques intensos

Nesta terça-feira, 18º dia de combates, tropas israelenses entraram em confronto com militantes palestinos nos subúrbios da Cidade de Gaza, segundo testemunhas. Israel também realizou mais ataques aéreos contra alvos em Gaza, enquanto militantes palestinos continuam lançando foguetes contra o território de Israel.

Testemunhas afirmaram que, na noite de segunda-feira, ocorreram as batalhas mais violentas entre tropas israelenses e as milícias palestinas, desde que as tropas cercaram a cidade. Segundo relatos, os soldados  "se infiltraram mais do que nunca na cidade", mas continuam operando nos subúrbios e "não entraram no núcleo urbano".

O avanço encontrava forte resistência dos combatentes palestinos, que respondiam com tiros de morteiro e disparos de armas antitanque (RPG). Um porta-voz do Exército hebreu confirmou que há combates em vários bairros de Gaza, sem dar detalhes.

ONU e Cruz Vermelha

Nesta terça-feira, o Comitê dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) acusou Israel de mostrar um "claro desrespeito" pela proteção de crianças em sua operação militar na Faixa de Gaza.

Em comunicado, o comitê diz que mais de 40% dos mortos no conflito são mulheres ou crianças, apesar de Israel ter assinado um protocolo da ONU que condena ataques em locais onde possa haver presença de menores de idade.

"O Comitê dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas está profundamente preocupado com os efeitos devastadores que o atual conflito militar em Gaza tem sobre as crianças", diz o documento, divulgado em Genebra. Segundo o comitê da ONU, os ataques terão graves efeitos emocionais e psicológicos em toda uma geração de menores em Gaza.

Também nesta terça-feira, o presidente da Cruz Vermelha Internacional, Jakob Kellenberger, visitou a Faixa de Gaza, durante uma trégua de três horas no conflito entre Israel e militantes palestinos, para avaliar a extensão da crise humana no território.

Kellenberger foi até o principal hospital do território e se encontrou com funcionários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. "Eu queria ver esse hospital e só posso dizer que isso é realmente muito triste e dói muito ver o que eu acabei de ver", disse Kellenberger.

Em entrevista à BBC, um porta-voz do governo israelense, Mark Regev, disse que Israel está tomando "enorme cuidado" para evitar a morte de civis em Gaza.

"Nós divulgamos um vídeo ontem (segunda-feira) de pilotos que eabortaram a missão porque podiam ver civis na área a ser atacada. Nós não atiramos contra civis inocentes, ponto final", disse Regev.

18º dia de ataques

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