Israel inicia terceira etapa da ofensiva em Gaza e intensifica ataques

Saud Abu Ramadan. Gaza, 10 jan (EFE).- Israel anunciou hoje outra fase de suas ações na Faixa de Gaza ao entrar na terceira semana de sua ofensiva, que nas duas primeiras já deixou cerca de 830 mortos.

EFE |

"Moradores da Faixa de Gaza: em breve o exercito de Israel atacará com maior intensidade os túneis, os arsenais e as atividades terroristas. Para sua segurança e a de suas famílias se afastem dos elementos terroristas", afirmam milhares de panfletos lançados por aviões israelenses sobre este território palestino.

Escritos em árabe, os panfletos dizem que o Exército de Israel advertiu da mesma forma há dois dias os habitantes de Rafah - na fronteira com o Egito - que deixassem suas casas, pois a região ia ser bombardeada, e que "os moradores atenderam a instrução e os civis não foram afetados pelos combates".

Esta ação é um prelúdio da terceira fase da ofensiva em Gaza, com a entrada na região de reservistas para ampliar os ataques que, após os primeiros bombardeios aéreos e navais, foram iniciados por centenas de tanques e milhares de soldados de infantaria na segunda semana de ofensiva.

A terceira fase da ofensiva começou esta noite com fortes bombardeios de aviões e de unidades de artilharia sobre várias localidades do norte de Gaza e que custaram a vida de pelo menos 14 pessoas e deixaram outros 15 feridos.

Segundo fontes da área de saúde, entre as vítimas estão cinco pessoas nas localidades de Jabalia e três membros de uma família cuja casa recebeu um disparo de um tanque em Beit Lahia.

Segundo testemunhas, outras duas pessoas morreram por causa do ataque de um caça no campo de refugiados de Shati, onde o Hamas informou da morte de um miliciano.

Além disso, as fontes afirmam que na região foi atingido um importante membro da Jihad Islâmica, que morreu com dois de seus filhos.

As novas vítimas civis se juntam aos oito membros de uma mesma família que morreram na manhã de hoje na localidade de Jabalia ao serem atingidos por um projétil lançado de um carro de combate.

Também antes do meio-dia, outras 15 pessoas, entre elas outros sete civis, morreram e cerca de 20 ficaram feridos por cerca de 50 bombardeios que a esta hora a aviação israelense já tinha realizado.

Mais de sete edifícios de Jabalia e da Cidade de Gaza foram destruídos por estes ataques.

O chefe do serviço de emergências na Faixa de Gaza, Muawiya Hassanein, afirmou que um total de 36 pessoas morreram no 15º dia da ofensiva, que também deixou 50 feridos.

Assim, o número de mortos aumentou para o total de 829, enquanto o número de feridos passa de 3.500, afirma Hassanein.

Embora o Exército israelense tenha permitido esta semana a entrada de ajuda humanitária para a população civil, as passagens fronteiriças de Gaza permaneceram hoje fechadas para os comboios de ajuda.

Segundo denúncia feita por Chris Gunner, porta-voz da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (Unrwa), as autoridades militares de Israel tomaram esta decisão por se tratar de um shabat, dia de descanso do povo de Israel.

A UNRWA, que abastece com alimentos a mais de 900.000 pessoas do 1,5 milhão de habitantes de Gaza, pensava em retomar hoje o trabalho de seus comboios após uma interrupção de suas atividades de 24 horas por causa da morte de um de seus motoristas na última quinta em um bombardeio de Israel.

Entretanto, os caminhões com os quais esta agência da ONU pretendia levar a ajuda para Gaza - onde a situação humanitária é crítica - não puderam entregar a carga.

Um porta-voz da entidade de Coordenação de Assuntos Civis no Exército de Israel, Peter Lerner, confirmou o fechamento das passagens por causa do shabat e alegou que "no lado palestino dos terminais há mercadorias que não foram recolhidas".

"É certo que as passagens estão fechadas, mas de toda forma até que não retirem o que há não se pode transferir mais para o outro lado do terminal", disse.

"Até que explodiu a crise sempre estavam fechados aos sábados, e ontem à noite nos avisaram que a UNRWA voltava a trabalhar, mas era tarde demais para abrir esta manhã", concluiu. EFE sa'ar/fal

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