Israel inicia deportação de ativistas de frota

Ministério de Relações Exteriores de Israel anuncia detenção de 686 ativistas; 169 estão em vias de expulsão nesta terça-feira

iG São Paulo |

Israel deteve 686 ativistas que estavam da "Frota da Liberdade", que foi atacada por Israel na segunda-feira . Desse total, 169 estão em processo de deportação nesta terça-feira, com vários deles já tendo chegado a seus países de origem.

"Os que assinaram os documentos de expulsão sairão assim que houver voos disponíveis", disse uma fonte do governo israelense. Segundo esses documentos, os ativistas aceitam voluntariamente voltar a seus países de origem sem dispor do direito de apelação perante instâncias judiciais israelenses.

Entre os 169 ativistas, há 45 cidadãos do Azerbaijão, Bélgica, Bulgária, República Checa, França, Alemanha, Grécia, Suécia, Turquia, EUA e Grã-Bretanha que concordaram em se identificar. Os ativistas que não assinaram o documento foram levados a uma prisão em Beesheva, e serão processados, ou obrigados a deixar Israel de outras formas.

O processo envolvido na deportação desses ativistas é mais complicado por requerer o envolvimento de diplomatas internacionais, disse a polícia. "Uma parte dos detidos se recusou a apresentar identificação. Protestaram, jogaram-se no chão, com uma atitude provocadora", completou afirmou à rádio militar Yossi Edelstein, alto funcionário do Ministério do Interior.

AP
Nilufer Cetin segura seu filho Kaan, de 1 ano, no aeroporto de Istambul após voltar de Israel. Ela estava com a criança na frota atacada por Israel em 31/05/2010
Por enquanto, conseguiram chegar a seus países de origem pelo menos cinco alemãos, um grego e um número indeterminado de turcos, incluindo um casal de ativistas com seu filho de um ano. 

De acordo com o site Ynetnews, 124 árabes - exceto os egípcios - que integravam a frota devem ser liberados na noite desta terça-feira. Em um acordo alcançado pelo cônsul jordaniano em Israel, Issam al-Bodur, Israel concordou em enviar os participantes da Jordânia, Mauritânia, Kuwait e Síria de ônibus para a Jordânia e, de lá, para seus respectivos países. 

Segundo a rádio militar israelense, os passageiros da frota eram originários de 38 países. Além de 380 turcos, entre os passageiros estão cidadãos da Malásia, Indonésia, Marrocos, Argélia, Paquistão, Kosovo, Iêmen. Exigindo imediada libertação de seus cidadãos, o primeiro-ministro francês, Francois Fillon, disse que há nove franceses entre os ativistas. Segundo o Ministério de Assuntos Exteriores da Grã-Bretanha, 40 cidadãos britânicos permanecem detidos pelas autoridades israelenses.

De acordo com os organizadores, antes de zarpar a frota tinha mais de 750 ativistas de 60 nacionalidades. Sete dos ativistas eram israelenses e, com exceção de uma deputada que tem imunidade, certamente terão de enfrentar os tribunais do país.

A cineasta brasileira Iara Lee também está entre os detidos na prisão de Beersheva. Ainda não há previsão de quando ela será deportada .

A frota com seis navios, atacada em águas internacionais , tinha o objetivo de levar 10 mil toneladas em ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que está sob bloqueio desde a tomada de controle pelo grupo islâmico Hamas, em 2007. O ataque, que deixou pelo menos nove mortos e atraiu condenação internacional, foi lançado contra a frota na segunda-feira. Entre os mortos haveria pelo menos quatro cidadãos turcos .

Pelo menos 45 passageiros, incluindo 20 turcos, continuam hospitalizados, assim como sete soldados. Entre os detidos está Katab Jatib, presidente da mais importante organização de árabes israelenses, que convocou um dia de greve e protestos em Israel.

Segundo o Exército israelense, as três cargas de suprimentos que estavam na frota foram enviados nesta terça-feira a Gaza pelo posto de fronteira de Kerem Shalom, um importante ponto de entrada usado por Israel.

Nova embarcação

Enquanto diplomatas de Israel trabalham para conter os danos, a Marinha do país informou estar pronta para interceptar outro navio que estaria tentando se aproximar do litoral de Gaza. A Rádio do Exército de Israel informou que a embarcação Rachel Corrie, originalmente um navio comercial, poderia chegar às águas de Gaza até quarta-feira.

Um tenente da Marinha, que não foi identificado, disse em entrevista à Rádio do Exército que esperava uma fácil tomada da embarcação. Em uma mensagem postada na Internet a partir da Irlanda no dia 20 de abril, a Organização Perdana pela Paz Mundial disse que o Movimento pela Liberdade de Gaza, que se opõe ao bloqueio liderado por Israel ao território palestino, comprou o Rachel Corrie como parte de uma flotilha de assistência humanitária.

*Com EFE, Reuters e AFP

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