Israel impõe toque de recolher a vilarejo palestino

Por Avida Landau PERTO DE NILIN, CISJORDÂNIA (Reuters) - Moradores do vilarejo palestino de Nilin, na Cisjordânia ocupada, saíram neste domingo às ruas em protesto contra o toque de recolher em vigor dia e noite, imposto por tropas israelenses que desde sexta-feira isolam a cidade.

Reuters |

Um repórter da Reuters ouviu tiros vindos de Nilin.

Segundo um morador, cerca de 50 pessoas ficaram feridas por gás lacrimogêneo e balas revestidas de borracha. O Exército de Israel disse que um soldado ficou ferido, mas não fez comentários sobre quaisquer vítimas entre os civis, no terceiro dia de confrontos e de medidas restritivas que mantêm os jornalistas fora do vilarejo.

As tropas novamente impediram os repórteres de tentar entrar no vilarejo de 5.000 habitantes, situado 20 quilômetros a oeste de Telaviv. Nilin tem sido um foco de protestos contra os muros e cercas que Israel está construindo ao longo da Cisjordânia, dizendo tratar-se de medida defensiva.

Um correspondente da Reuters posicionado numa colina que dá vista para Nilin viu pelo menos 12 pessoas andando e gritando através do vilarejo. Ele também escutou vários tiros. Moradores disseram por telefone que estão impedidos de deixar a cidade desde sexta-feira.

Um porta-voz do Exército israelense afirmou que o toque de recolher por tempo indeterminado foi imposto aos moradores no domingo, forçando-os a ficar dentro de casa dia e noite, 'em razão de violentos incidentes recentes'. Ele disse que oito integrantes da segurança israelense e dois trabalhadores que constroem a barreira foram feridos nos protestos no mês passado.

A barreira na Cisjordânia, uma rede de cercas de arame farpado e barricadas de concreto, tem como objetivo evitar a entrada de homens-bomba em Israel, diz o governo israelense.

Mas a barreira também contorna blocos de assentamentos judaicos, isolando vilarejos palestinos da Cisjordânia de áreas de terras agrícolas.

Há quatro anos, a Corte Mundial de Haia estabeleceu que é ilegal a construção da barreira de 720 quilômetros em terra ocupada. A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que Israel ignorou essa determinação.

(Reportagem adicional de Adam Entous perto Nilin, Wafa Amr e Ori Lewis em Jerusalém)

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