Israel fecha Gaza após ataques de palestinos durante frágil cessar-fogo

Jerusalém, 25 jun (EFE).- Sete dias após a trégua firmada com o Hamas, Israel fechou todas as passagens fronteiriças pelas quais entram produtos na Faixa de Gaza em resposta aos ataques com foguetes procedentes desta região.

EFE |

Um porta-voz do Exército israelense disse à Agência Efe que todas as passagens fronteiriças com Gaza, menos o terminal de Erez, ficarão fechadas até segunda ordem.

O movimento islâmico Hamas, que governa Gaza há um ano, fala de violação da trégua por Israel, condenação similar à realizada ontem pelo primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que chamou de "flagrante rompimento" dos ataques.

"Na frente dos egípcios, Israel prometeu não fechar as passagens fronteiriças e aliviar o bloqueio" a Gaza, disse em comunicado o porta-voz do Hamas Fawzi Barhum.

O fechamento das fronteiras foi decidido ontem à noite pelo ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, em resposta ao ataque da última terça de três foguetes e uma bomba procedente de Gaza contra Israel.

Três foguetes Qassam, de fabricação rudimentar e disparados por milicianos da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza, caíram ontem em território israelense sem deixar vítimas, no incidente mais grave desde o início do cessar-fogo, na última quinta.

O cumprimento da trégua tem por meta acabar com o bloqueio e as operações militares de Israel em Gaza, assim como com os ataques da Faixa contra as cidades israelenses perto da fronteira.

Apesar de a Jihad Islâmica ter aderido ao acordo de cessação de hostilidades juntamente com as outras facções palestinas armadas e de a trégua não valer na Cisjordânia, o grupo assumiu a autoria dos ataques, em resposta à morte por forças israelenses de um de seus membros na cidade de Nablus.

"O bombardeio é uma mensagem excepcional em resposta aos crimes da ocupação na Cisjordânia", afirmava hoje um destacado membro da Jihad, que pediu para não ser identificado.

Antes do fato, milicianos palestinos dispararam a partir de Gaza uma bomba contra Israel.

Desde o início do cessar-fogo, Israel aumentou em 30% a quantidade de produtos que entram em Gaza (20%, segundo os palestinos), em virtude dos compromissos assumidos no Egito, país que mediou entre as duas partes para conseguir o acordo de cessação de hostilidades.

Israel mantinha praticamente fechados os cruzamentos e passagens fronteiriças para Gaza nos últimos 12 meses, desde que o Hamas tomou o poder na Faixa após enfrentar as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

O fechamento hoje dos postos fronteiriços com Gaza e os recentes ataques com foguetes evidenciam a fragilidade da trégua.

O Hamas afirma que segue comprometido em manter o cessar-fogo e exorta "todas as facções palestinas a se conterem e garantirem o êxito da trégua", declarou Barhum.

O porta-voz do movimento islâmico pediu ao Cairo para pressionar Israel a interromper suas ações militares e destacou uma série de violações pelo Estado judeu, inclusive os disparos contra dois agricultores palestinos, o último episódio deste tipo que aconteceu hoje.

A vítima, um fazendeiro de 75 anos e identificado como Salem Abu Raida, ficou gravemente ferido esta manhã em um ataque israelense enquanto estava trabalhando em sua propriedade, que fica perto da fronteira de Gaza, segundo testemunhas e fontes médicas.

Os médicos do Hospital Nasser, na cidade de Khan Yunes, tentaram estabilizar a vítima, que recebeu três tiros.

Trata-se do segundo ferido nestas circunstâncias nos últimos dias, já que a calma relativa levou vários agricultores a voltarem a plantar em suas propriedades próximas à fronteira, fato impensável há uma semana.

Nesta região, eram freqüentes as mortes por soldados israelenses de civis e ativistas palestinos suspeitos de tentarem plantar bombas, lançar ataques ou se infiltrarem no território de Israel.

EFE db/wr/fal

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