Israel exclui versão palestina para criação do país de livros escolares

O ministro da Educação de Israel, Gideon Saar, decidiu excluir a narrativa palestina sobre o conflito entre israelenses e palestinos, do currículo escolar. De acordo com as instruções do ministro, a explicação sobre a Nakba (catástrofe), termo usado pelos palestinos para descrever a criação do Estado de Israel, será retirada dos livros escolares.

BBC Brasil |

O estudo da Nakba foi introduzido nas escolas árabes de Israel em 2007, durante o governo de Ehud Olmert, quando a ministra da Educação era Yuli Tamir, do partido Trabalhista.

Depois da vitória de Binyamin Netanyahu, nas eleições de fevereiro, o político Gideon Saar, do partido de direita Likud, assumiu a pasta da Educação.

"Não há razão alguma para que, no currículo escolar oficial do Estado de Israel, a criação do Estado seja apresentada como uma catástrofe", afirmou o ministro.

"O sistema de educação não deve contribuir para abalar a legitimidade do Estado", acrescentou.

'Famílias destruídas'
A decisão despertou a indignação de líderes políticos árabes-israelenses.

O deputado Ahmed Tibi, do partido Raam-Taal, declarou que "o que os palestinos viveram em 1948 (ano da guerra e da criação do Estado de Israel) foi uma catástrofe do ponto de vista humano, social, politico e nacional".

"Famílias foram destruídas e expulsas ou fugiram, casas foram destruídas, pessoas foram mortas".

"Aqueles que acham que, apagando a narrativa e impedindo o estudo da Nakba, podem apagar a memória e a história nacional dos palestinos, estão muito enganados", disse o deputado.

Acesso a informações
Na época em que decidiu introduzir o tema da Nakba no currículo escolar, a ex-ministra Yuli Tamir havia afirmado que "os alunos árabes, que fazem parte do povo palestino, devem ter acesso às informações relevantes para a sua história".

A decisão do ministro da Educação ocorre 10 dias depois da decisão do ministro dos Transportes, Israel Katz, também do Likud, de alterar a grafia dos nomes das cidades do país em todas as placas de trânsito.

As placas, que eram escritas em três idiomas â¿ hebraico, árabe e inglês â¿ passarão a mostrar apenas os nomes hebraicos das cidades, escritos em caracteres hebraicos, árabes e latinos.

Por exemplo, a cidade que tem a carga política, nacional e religiosa mais sensível â¿ Jerusalém â¿ passará a ser chamada apenas de Yerushalaim, de acordo com o nome hebraico. O nome Yerushalaim será escrito em caracteres hebraicos, árabes e latinos.

O nome árabe da cidade â¿ al-Quds â¿ e em inglês â¿ Jerusalem â¿ deixarão de constar das placas de trânsito.

A decisão do ministro gerou protestos por parte de líderes políticos da população árabe-israelense e da esquerda, que acusaram o ministro de "tentar apagar a memória e reescrever a história".

"Esse ministério não permitirá que, nas nossas placas, ninguém transforme a cidade judaica de Yerushalaim em palestina, com o nome de al-Quds", afirmou o ministro Israel Katz.

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