Israel examina proposta da UE mas fala em manter ofensiva em Gaza

Israel examinava nesta terça-feira à noite uma proposta francesa de cessar por 48 horas a ofensiva lançada no último sábado contra o Hamas, na Faixa de Gaza, que já deixou mais de 370 mortos.

AFP |

O primeiro-ministro Ehud Olmert, a ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni e o ministro da Defesa Ehud Barak "vão se encontrar em uma hora para uma avaliação das situação, ao longo da qual será examinada uma proposta francesa de cessar-fogo" de 48 horas, disse um alto responsável israelense, que não quis ser identificado.

Já o Hamas ameaçou atingir o território israelense de forma mais profunda, com foguetes, se o Estado hebreu continuar sua ofensiva.

"Dissemos aos dirigentes do inimigo: se vocês continuarem seu assalto, nossos foguetes atingirão ainda mais profundamente do que as cidades que já atingimos", declarou, em entrevista coletiva em Gaza, um porta-voz mascarado do braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedin al-Qassam.

Em Paris, a União Européia e os outros membros do Quarteto para o Oriente Médio, que estão em uma reunião de emergência, devem fazer um apelo por uma trégua humanitária em Gaza.

À tarde, os ministros das Relações Exteriores do Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia) e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fariam uma teleconferência para trabalhar em uma declaração comum, segundo fontes diplomáticas.

A Comissão Européia, em Bruxelas, voltou a pedir ao Hamas e a Israel que cessem os ataques e fez um apelo por "medidas urgentes" para permitir o acesso de ajuda humanitária à população civil de Gaza.

No Egito, o presidente Hosni Mubarak também pediu o fim imediato dos ataques aéreos israelenses. "Nós dissemos a Israel que suas agressões são rejeitadas e condenadas e que devem cessar imediatamente", frisou.

Hoje de manhã, o presidente dos EUA, George W. Bush, telefonou para o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e para seu primeiro-ministro Salam Fayad para conversar "sobre as condições de um cessar-fogo duradouro" na Faixa de Gaza, anunciou a Casa Branca.

Desde o início da ofensiva, Israel atacou a Faixa de Gaza basicamente pelo ar e, de forma episódica, pelo mar, sempre lançando a ameaça de operações terrestres.

A ofensiva militar israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza está apenas na primeira fase e pode durar semanas, conforme advertência lançada nesta terça pelo Estado hebreu, que mantém tropas terrestres preparadas para entrar no território palestino.

"As operações aéreas e marítimas do Exército israelense constituem a primeira fase entre várias já aprovadas pelo gabinete de segurança", disse o premier Ehud Olmert, durante uma reunião com o presidente Shimon Peres, em Tel Aviv.

De acordo com Peres, "o que nós queremos não é um cessar-fogo, mas o fim do terrorismo".

O vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai, afirmou que Israel está disposto a lutar durante semanas contra o Hamas. "Estamos preparados para um conflito prolongado e para semanas de combate", disse ele à rádio pública israelense.

"O Hamas ainda dispõe de centenas de foguetes, mas perde força a cada dia. Queremos fazer uma mudança radical na situação de segurança no sul de Israel", afirmou.

No terreno, as forças terrestres israelenses se preparavam para intervir na Faixa de Gaza. "As forças terrestres estão prontas para agir. Todo mundo está em posição no terreno", garantiu à AFP a porta-voz do Exército, Avital Leibovitz.

"A opção existe. Pode ser aplicada, mas no momento só atacamos por ar e pelo mar", acrescentou, explicando que "restam muitos alvos que ainda não atacamos".

"Agimos de acordo com o plano inicial e constatamos sinais de enfraquecimento no Hamas, mas isso não significa que tenha perdido a capacidade de disparar foguetes contra Israel", justificou a porta-voz.

O ministro israelense das Infra-Estruturas, Binyamin Ben Eliezer, já descartou a possibilidade de um cessar-fogo.

"Israel não está interessado, neste momento, em um cessar-fogo com o Hamas na Faixa de Gaza. Se acontecer um cessar-fogo, isso permitirá ao Hamas recuperar suas forças e preparar um ataque mais duro contra Israel", alegou.

No quarto dia da ofensiva israelense, os ataques aéreos prosseguiram durante a madrugada e a manhã desta terça na Faixa de Gaza. No fim da tarde, a Força Aérea israelense bombardeou, pela segunda vez em dois dias, túneis de Rafah utilizados para o contrabando no sul da Faixa de Gaza, relataram testemunhas. Aviões F16 largaram 12 bombas de forte potência, perto da fronteira com o Egito.

Duas irmãs palestinas de 4 e 11 anos, Lama e Haya Hamdan, morreram em um bombardeio que teve como alvo um carro puxado por uma mula em Beit Hanun, norte da Faixa de Gaza.

Na região de Khan Yunis, sul da Faixa de Gaza, um palestino morreu, e dois ficaram feridos em um ataque aéreo contra um posto policial do Hamas.

Ao todo, 368 palestinos, em sua maioria membros do Hamas, mas também mais de 50 civis, morreram e 1.700 foram feridos desde sábado na ofensiva aérea israelense contra o movimento radical islamita, de acordo com novo balanço divulgado pelo diretor dos serviços de emergências de Gaza, Muawiya Hasanein.

Entre os mortos, há 39 crianças e 13 mulheres, acrescentou a mesma fonte.

No lado israelense, mais de 20 foguetes foram lançados contra o sul do país, deixando um ferido em Sderot, informou o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld.

As sirenes ecoaram pela primeira vez em Beersheva, a cerca de 40 km da Faixa de Gaza, mas nenhuma queda de foguete foi registrada no setor, completou Rosenfeld.

Desde sábado, os disparos de foguetes e obuses de morteiro deixaram quatro mortos em Israel: três civis e um soldado. Segundo o Exército, nesse período, mais de 200 foguetes e obuses foram disparados.

As autoridades israelenses afirmam que a operação militar, de uma violência inédita desde a ocupação dos territórios palestinos por Israel em 1967, tem como objetivo acabar com os disparos de foguetes palestinos feitos de Gaza, território controlado pelo Hamas desde junho de 2007.

Ainda nesta terça, uma lancha da Marinha de Israel impediu a entrada de um barco com militantes pró-palestinos que tentava romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza com ajuda humanitária, informou a rádio militar israelense.

O "Dignity" havia sido fretado pelo "Free Gaza Movement" para levar ajuda médica a Gaza. Os organizadores da travessia confirmaram o choque com a lancha israelense, mas afirmaram que os danos sofridos pelo "Dignity" não impedem a navegação.

Ninguém ficou ferido, mas os dois barcos sofreram avarias. Em seguida, a embarcação dos militantes pró-palestinos voltou para alto-mar.

A bordo do "Dignity" viajavam, entre outros, Cynthia McKinney, ex-congressista americana e candidata do Partido Verde à presidência, e Sami al-Hajj, jornalista do canal Al-Jazeera que esteve detido em Guantánamo.

Paul Larudee, um dos fundadores do "Free Gaza Movement", disse que o barco foi cercado a 70 km da costa israelense, em águas internacionais, e a 135 km do destino, em Gaza.

O "Dignity", que fez cinco viagens a Gaza desde agosto, apesar do bloqueio israelense, transportava de três a quatro toneladas de material médico.

pa-yad/fp/tt

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