Israel estuda resposta após adesão palestina à Unesco

Netanyahu tem reunião com ministros para definir ação do governo após palestinos ganharem status de membro pleno em agência da ONU

iG São Paulo |

AFP
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, fala ao Parlamento em Jerusalém (31/10)
O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se reunirá nesta terça-feira para estudar possíveis respostas do país à decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) de conceder aos palestinos o status de membro pleno .

Em entrevista à rádio pública, o vice-ministro israelense das Relações Exteriores, Danny Ayalon, afirmou que o país quer estudar respostas “diplomáticas e políticas” para a votação da Unesco, que aconteceu na segunda-feira.

"A Unesco se tornou uma organização política ao admitir um Estado que não existe. Esta iniciativa dos palestinos demonstra que eles não querem a paz nem negociações, que têm apenas a intenção de perpetuar o conflito", disse Ayalon.

Leia também: Palestinos obtêm status de membro pleno da Unesco

A reunião desta terça-feira contará com a participação dos oito principais ministros de Israel.

Segundo a imprensa local, entre as propostas que serão estudadas pelo governo israelense está a construção de novas colônias nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental e Cisjordânia.

Além disso, os ministros podem determinar a retenção de impostos e tarifas de importação e exportação que Israel arrecada e repassa à Autoridade Nacional Palestina (ANP), como determinam os Acordos de Oslo.

"O que se passou na Unesco não é algo sem importância e deve ser visto com seriedade. Israel pode escolher efetuar uma resposta unilateral a esta iniciativa", assinalou uma fonte diplomática ao jornal Yedioth Ahronoth.

O ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, falou na segunda-feira no Parlamento sobre a possibilidade de Israel cortar todos os vínculos com a ANP.

"Temos que pensar na possibilidade de cortar todos os vínculos com a Autoridade Palestina. Não podemos seguir aceitando medidas unilaterais uma atrás de outra", disse o ministro, que participará da reunião com Netanyahu.

EUA

O governo do presidente americano, Barack Obama, cortará o envio de fundos à Unesco pelo fato de ela ter aprovado a admissão da ANP como membro pleno da organização.

Ao justificar a decisão de Washington, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que a votação desta segunda-feira ativa uma legislação dos anos 1990 que obriga um corte completo de financiamento americano a qualquer agência da ONU que aceite os palestinos como membro pleno antes de que seja alcançado um acordo de paz israelo-palestino. A Unesco depende dos EUA para 22% de seu orçamento - ou cerca de US$ 70 milhões.

"Faríamos um pagamento de US$ 60 milhões à Unesco em novembro, mas não o faremos mais", disse em Washington a porta-voz do Departamento de Estado americanos, Victoria Nuland.

Segundo Nuland, a decisão da Unesco era "lamentável, prematura e prejudicial ao objetivo compartilhado de uma paz completa, justa e duradoura" entre israelenses e palestinos. De acordo com ela, porém, os EUA continuarão como membros do órgão.

Para os palestinos, a vitória na Unesco é vista como um passo adiante na tentativa de ter seu Estado reconhecido pela ONU . A agência cultural foi a primeira na qual os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente Mahmoud Abbas entrou com o pedido de reconhecimento palestino nas Nações Unidas, em 23 de setembro.

Israel e EUA se opõem à tentativa, com Obama já tendo anunciado que vetará a medida no Conselho de Segurança da ONU.

Com EFE, AFP, AP e BBC

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