JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estuda amenizar o bloqueio sobre a Faixa de Gaza, permitindo a entrada de materiais para alguns projetos de reconstrução com financiamento externo, disseram nesta segunda-feira funcionários do governo de Israel e de delegações do Ocidente.


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Mas qualquer alívio nos controles da fronteira com o enclave, governado pelo Hamas e devastado por uma ofensiva israelense no começo do ano, deve ser gradual por causa da oposição dentro do governo de direita de Netanyahu a qualquer abertura política, afirmaram.

Como parte da revisão da política sobre Gaza, Netanyahu e o ministro da Defesa, Ehud Barak, estão estudando uma proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) para supervisionar projetos que tenham sinal verde por parte de Israel, assegurando que o Hamas não consiga tomar posse de materiais pretendidos para a reconstrução da zona, disseram diplomatas.

Uma opção, desejada há muito pelas potências ocidentais, é que Israel abra as fronteiras para todos os itens que não estejam classificados como "proibidos."

"Em vez de ter uma lista do que pode entrar, será que é possível ter uma lista do que não pode entrar?," perguntou Netanyahu, segundo uma fonte.

Além de banir alguns itens, Israel define diariamente que tipos de produtos estão autorizados a entrar. Israel e autoridades ocidentais disseram que não está claro se serão feitas quaisquer mudanças e quanto tempo elas eventualmente durariam.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve fazer na quinta-feira um discurso amplamente aguardado no Egito. O discurso faz parte dos esforços para reacender as negociações de paz com os palestinos e os Estados árabes vizinhos.

Cairo já abrigou neste ano uma conferência sobre a reconstrução de Gaza, e tanto doadores árabes quanto ocidentais acusam Israel de impedir que os trabalhos na área comecem.

Autoridades israelenses e do Ocidente disseram que Netanyahu reavalia se o bloqueio está enfraquecendo o Hamas, como planejado.

"Temos que encontrar o equilíbrio certo entre melhorar as condições para a população civil inocente e, ao mesmo tempo, não fazer nada que possa fortalecer o Hamas," disse o premiê israelense ao seu gabinete neste domingo, segundo uma fonte.

Enviados norte-americanos, europeus e internacionais têm tentado convencer Netanyahu de que as restrições de Israel estão ajudando o Hamas, em vez de enfraquecê-lo, ao forçar a população de 1,5 milhão de pessoas de Gaza a depender de túneis de contrabando controlado pelos islamistas para conseguir produtos básicos.

O antecessor de Netanyahu, Ehud Olmert, endureceu os controles de fronteira depois que militantes de Gaza capturaram um soldado israelense, Gilad Shalit, em 2006.

O bloqueio apertou ainda mais em 2007 depois que o Hamas, condenado pelo Ocidente por não reconhecer Israel e não renunciar à violência, tomou o controle do território das mãos de grupos palestinos com maior respaldo internacional.

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