O Exército israelense estreitou o certo neste domingo ao sul da cidade de Gaza, onde famílias tentam fugir dos bairros periféricos atingidos por combates que se intensificaram ainda mais com a recusa de Israel e do Hamas de cessar-fogo.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, anunciou que a ofensiva "Chumbo grosso", que entrou em sua terceira semana e já matou quase 900 pessoas, está se aproximando de seus objetivos, mas vai continuar.

Blindados avançaram várias centenas de metros em dois bairros da periferia sul da cidade de Gaza, Tal al-Hawa e Sheikh Ajline antes do amanhecer deste domingo, provocando a fuga das famílias, carregando crianças no colo e alguns pertences.

"Esperamos o dia ficar claro para fugir. Não pudemos levar nada, nem sequer leite para as crianças", declarou à AFP Ibtisam Shamalá, de 22 anos, com duas crianças no colo.

"Não posso falar. Só quero fugir. Pouco importa pra onde", disse o marido dela, Abed.

Segundo a ONU, 25 mil pessoas fugiram dos combates e se refugiaram nos centros de acolhida instalados nas escolas ou nos prédios da Agência para a ajuda aos refugiados (Unrwa). "Os refúgios estão sobrecarregados, principalmente em Jabaliya", afirmou Chris Gunness, porta-voz da Unrwa.

Os soldados se posicionaram sobre os telhados das casas para enfrentar grupos armados, que atiraram foguetes antitanque e detonaram bombas.

Dez combatentes do Hamas e do Jihad islâmico foram mortos, assim como dois civis, segundo fontes médicas.

Os combates também ocorreram no norte da Faixa de Gaza. Quatro crianças e duas mulheres foram mortas por tiros israelenses contra sua casa, segundo fontes médicas.

No total, 26 pessoas morreram neste domingo, segundos fontes médicas palestinas.

Segundo um balanço recebte do chefe dos serviços de urgência de Gaza Mouawiya Hassanein, pelo menos 879 palestinos foram mortos, dos quais 275 crianças, e mais de 3.620, feridos, desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.

Mais de 60 alvos foram visados pelo exército israelense da noite de ontem para a manhã deste domingo, segundo uma porta-voz.

Sete foguetes foram disparados pelos grupos palestinos contra Israel, sem deixar vítimas.

Sábado, a aviação israelense lançou milhares de panfletos em Gaza advertindo a população sobre uma "próxima intensificação das operações contra os túneis, os depósitos de armas e os terroristas em toda a faixa de Gaza".

Os bombardeios da madrugada atingiram "túneis de contrabando de armas, uma mesquita no sul da Faixa de Gaza que funcionava como depósito de armas e como base de treinamento", indicou uma porta-voz militar à AFP.

"Israel está se aproximando de seus objetivos, mas é preciso mais paciência e determinação para alcançar alguns objetivos que consigam mudar a situação de segurança no sul do país, para que seus cidadãos vivam em segurança durante um longo período de tempo", declarou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert na abertura do conselho de ministros.

Israel afirmou ter seriamente enfraquecido as capacidades militares do Hamas e matado mais de 550 de seus membros nas fases aéreas e depois terrestres da ofensiva, se reservando a possibilidade de mobilizar dezenas de milhares de reservistas numa eventual próxima fase.

O chefe do Hamas no exílio Khaled Mechaal disse ao contrário na noite de sábado que Israel não atingiu "nenhum objetivo" e prometeu dar continuidade ao combate.

Ele se recusou a negociar uma trégua enquanto as forças israelenses não se retirarem do território palestino, atingido por uma crise humanitária.

é par une crise humanitaire.

Dois comboios de ajudas de alimentos e medicamentos da ONU devem entrar em Gaza na tarde deste domingo, segundo o porta-voz da Unrwa.

bur-mel/lm

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