Israel está disposto a negociar questões-chave, diz embaixador

JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está preparado para retomar conversações de paz com os palestinos que englobem questões fundamentais como fronteiras e refugiados, disse na terça-feira seu novo enviado a Washington. Mas, em entrevista à Reuters, o embaixador Michael Oren avisou que, com relação ao status de Jerusalém, que também faz parte das questões-chave do processo de paz, Netanyahu tem a posição firme de que a cidade deve ser a capital não dividida de Israel.

Reuters |

O presidente norte-americano Barack Obama quer que Israel e os palestinos retomem o quanto antes as negociações de paz e saudou como positivo o endosso condicional manifestado por Netanyahu esta semana da meta da criação de um Estado palestino.

Mas não está claro quando serão retomadas as negociações sobre os pontos fundamentais. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, descartou a retomada das negociações enquanto Netanyahu não congelar a construção em assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada.

A retomada das negociações sobre os pontos fundamentais, especialmente o futuro de Jerusalém, pode rachar o governo de coalizão de Netanyahu, em que os partidos de direita e religiosos se opõem fortemente a ceder diante da exigência palestina de que pelo menos uma parte de Jerusalém seja capital de um futuro Estado palestino.

"A questão fundamental seria, por exemplo, as fronteiras entre nós e os palestinos", disse Oren, indagado sobre quais questões fundamentais seriam discutidas em conversações futuras.

Ele disse que outra questão fundamental é a exigência de Netanyahu de que um futuro Estado palestino seja desmilitarizado.

"A questão dos refugiados, tanto a questão dos refugiados palestinos quando a questão dos refugiados judeus -- os judeus forçados a deixar terras árabes --, essas são questões fundamentais", disse o embaixador.

Israel insiste há muito tempo que não aceita a exigência palestina de que os refugiados que fugiram na guerra de criação de Israel, em 1948, possam retornar para suas casas hoje situadas em Israel.

Em alguns momentos, Israel também vinculou os pedidos de ressarcimento a esses refugiados às perdas sofridas por judeus que perderam suas casas em países como Iraque, Irã, Marrocos e Egito depois da criação de Israel.

Perguntado se Netanyahu também está aberto a negociações sobre o status de Israel, Oren disse: "A posição de Israel tem sido e é que Jerusalém deve permanecer como capital não dividida do Estado de Israel".

Indagado sobre se Netanyahu define a aceitação dessa posição como condição prévia para as negociações ou se está aberto a negociar sobre a questão de Jerusalém, Oren respondeu: "Essa é nossa posição".

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