Israel está disposto a frear temporariamente a colonização

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está disposto a frear temporariamente a colonização na Cisjordânia a pedido dos Estados Unidos, paralisando as licitações até o início de 2010, informam fontes governamentais.

AFP |

Netanyahu concordou com o ministro da Defesa, Ehud Barak, e o ministro da Habitação, Ariel Attias, em informar os Estados Unidos que o país estaria disposto a adotar esta medida, indicaram à AFP altos funcionários dos ministérios.

A notícia foi revelada no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tenta reativar nesta terça-feira o processo de paz no Oriente Médio, em um encontro no qual espera obter a ajuda do líder egípcio Hosni Mubarak para superar o beco sem saída entre Israel e os Estados árabes.

Esta será a primeira união na Casa Branca em cinco anos com este aliado de Washington, deixando para trás a relação tensa entre os países durante o governo de George W. Bush, que insistiu na libertação de presos políticos e em eleições livres.

A decisão de Netanyahu, que ainda deve ser aprovada pelo governo, prolongaria a interrupção de fato das licitações do ministério da Habitação - o que não acontece com os projetos de construção privados - em curso há nove meses.

"Consideramos que não há nenhum motivo para provocar tensões em nossas relações com os Estados Unidos e estamos dispostos a fazer um gesto", declarou um funcionário ministerial que pediu anonimato, que informou ainda que a paralisação das licitações também incluiria Jerusalém Oriental.

"Desde o governo de Netanyahu assumiu, o ministério da Habitação não realizou nenhuma licitação", declarou outra fonte.

O movimento israelense Paz Agora, contrário à colonização, confirmou que há vários meses as licitações estão paradas. No entanto, destaca que mesmo no caso de um cessar total das licitações por parte do governo, pelo menos 60% da construção das colônias prosseguirrá.

Em comparação, Israel lançou 417 licitações nas colônias da Cisjordânia e 171 para Jerusalém Oriental nos oito primeiros meses de 2008, marcados por um espetacular aumento da colonização.

Israel interrompeu de fato as licitações em novembro de 2008, tanto na Cisjordânia como em Jerusalém Oriental (anexada em junho de 1967), segundo Hagit Ofran, diretora para a questão da colonização na Paz Agora.

"A interrupção as licitações não diz respeito, no entanto, à construção em curso de mais de 1.000 casas", afirma Ofran.

Até agora, os Estados Unidos exigiram sem sucesso de Israel o congelamento total da colonização, com o objetivo de retomar as negociações de paz com os palestinos.

rb-ms/fp

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