Israel esnoba Carter e nega ajuda para segurança dele

Por Adam Entous JERUSALÉM (Reuters) - Líderes israelenses ignoraram na segunda-feira a visita do ex-presidente norte-americano Jimmy Carter por causa de sua intenção de também se reunir com um dirigente do Hamas. Fontes norte-americanas disseram também que o serviço secreto israelense negou ajuda aos agentes dos Estados Unidos que o escoltam.

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'[Os agentes] não estão recebendo apoio da segurança local', disse uma fonte, sob anonimato.

Uma fonte norte-americana descreveu a falta de cooperação do serviço secreto israelense, o Shin Bet, como 'sem precedentes'. O Serviço Secreto dos EUA protege todos os atuais e ex-presidentes do país, assim como líderes israelenses em viagem aos EUA.

Carter, que mediou o primeiro tratado de paz israelense com um vizinho árabe, o Egito, assinado em 1979, reuniu-se no domingo com o presidente de Israel, Shimon Peres, cujo cargo é apenas simbólico. Mas a liderança política do país, inclusive o primeiro-ministro Ehud Olmert, evitou contato com o Nobel da Paz Carter.

O ex-presidente irritou o governo israelense ao afirmar que pretende visitar na Síria o líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, e por ter comparado, num livro de 2006, a ocupação israelense nos territórios palestinos a 'um sistema de apartheid'.

Uma fonte israelense disse que o Shin Bet não protege Carter nesta visita porque os EUA não pediram.

Em resposta, a delegação de Carter, que até então preferira não comentar, divulgou nota à Reuters dizendo o seguinte: 'A delegação de Carter consultou tanto o chefe do esquema de segurança do Serviço Secreto quanto o agente regional de segurança do Departamento de Estado, e ambos disseram inequivocamente que uma solicitação oficial de assistência foi feita.'

Fontes norte-americanas próximas ao assunto disseram que o Shin Bet, que ajuda na proteção de dignitários em visita e está sob controle direto do gabinete de Olmert, não quis receber o encarregado do esquema de segurança de Carter no Serviço Secreto, nem ajudar sua equipe com a assistência habitual nessas visitas.

Israel e os EUA tentam isolar o grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde junho passado. O interlocutor deles entre os palestinos é o presidente Mahmoud Abbas, da facção Fatah.

O governo Bush e Israel são contra a visita de Carter a Meshaal.

(Reportagem adicional de Brenda Gazzar e Louis Charbonneau em Nova York)

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