Israel envia chanceler para reforçar relação com A.Latina

Daniela Brik. Jerusalém, 19 jul (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, inicia amanhã uma viagem à América Latina, onde, ao passar por países como o Brasil, tentará reforçar as trocas comerciais e os laços de amizade com as nações locais.

EFE |

A visita de Lieberman à região será a primeira de uma autoridade diplomática de Israel em 22 anos. Além do Brasil, estão incluídas no roteiro do chanceler israelense passagens por Colômbia, Peru e Argentina.

"Trata-se de uma tentativa de aproximação entre Israel e a América Latina, como se fosse a primeira fase de uma nova relação", afirmou Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores israelense.

De acordo com o funcionário, Lieberman "sempre disse que gostaria ampliar os laços com a região, tanto em nível prático como em nível político".

Após visitar os Estados Unidos, vários países europeus e a Rússia, o chanceler israelense, cujo Executivo recentemente completou 100 dias, agora se volta para às nações ibero-americanos, com a esperança de fortalecer os vínculos com uma região que é palco de uma contínua luta de forças.

Lieberman viaja à América Latina num momento em que Israel encontra-se particularmente desprestigiado no cenário internacional.

Tudo por causa da ofensiva israelense contra Gaza lançada entre dezembro e janeiro passados e da recusa do atual Executivo em suspender a construção de novos assentamentos e aceitar a criação de um Estado palestino.

Por causa dos "crimes" cometidos durante a última ofensiva militar em Gaza, Venezuela e Bolívia romperam relações diplomáticas com Israel. A medida, tomada no começo do ano, foi interpretada em círculos diplomáticos israelenses como resultado da crescente influência do Irã nesses países.

O vice-chanceler israelense, Dani Ayalon, disse à Agência Efe no mês passado que, de modo geral, Israel tenta restaurar as relações com a América Latina. Mas ele não escondeu sua preocupação com as estreitas relações que Teerã mantém com vários países da região.

Para Alex Ben Zvi, porta-voz do Departamento para a América Latina do Ministério de Assuntos Exteriores, a presença de grupos afins ao Hisbolá e ao Irã na Venezuela e na Bolívia "é uma questão que preocupa os países da região".

"Nós sabemos o que pode acontecer. E os dois atentados ocorridos na Argentina (nos anos 90) são um exemplo muito claro. Sem dúvida, este tema estará presente nas conversas de Lieberman com seus anfitriões", destacou o funcionário.

O ministro israelense visitará o Brasil, o principal parceiro comercial do Estado judeu na região, nos dias 21 e 22.

Na agenda, além do comércio de US$ 2 bilhões entre as partes, estarão os preparativos da primeira visita oficial a Brasília de um presidente de Israel, neste caso Shimon Peres, assim como o desejo brasileiro de participar de forma mais efetiva do processo de paz no Oriente Médio.

Na Argentina, Lieberman será o primeiro chanceler israelense a visitar Buenos Aires, onde deve aterrissar em 23 de julho. A pauta da conversa com seus interlocutores será o reforço das trocas comerciais, que não passam de US$ 300 milhões.

Acompanhado de representantes de aproximadamente 20 grandes empresas israelenses, o chanceler também assinará um acordo de cooperação econômica entre os dois países.

Na Colômbia, onde ficará nos dias 28 e 29, Lieberman falará do comércio bilateral e trocará experiência sobre os processos de paz vividos por ambos os países.

A visita coincidirá com os 60 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre ambos os países, que marcarão a primeira viagem de um alto funcionário do Governo israelense à Colômbia em 14 anos.

A previsão é que, enquanto estiver em solo colombiano, o chanceler de Israel estabeleça um mecanismo de consultas bilaterais anual e reforce a cooperação entre as partes. EFE db/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG