Israel, entre o laicismo e o crescente fundamentalismo religioso

Daniela Brik Jerusalém, 7 mai (EFE).- Israel se divide em seu 60º aniversário entre o laicismo que predominava em suas origens e o crescente fundamentalismo religioso registrado no chamado lar nacional do povo judeu.

EFE |

O Estado de Israel do século XXI mudou muito em relação ao país fundado por agricultores e pioneiros com armas nas mãos. Hoje, seculares e religiosos lutam para não cederem seus direitos ao outro lado.

Em cidades como Jerusalém o aumento nas últimas décadas da população religiosa é arrasador, enquanto a maioria dos jovens laicos abandona a Cidade Santa para viver em Tel Aviv e em outras localidades mais modernas e cosmopolitas.

Apesar de a ortodoxia judaica dominar boa parte da legislação civil, as recentes leis que permitem a venda de produtos com fermento durante a Páscoa hebraica, ou a adoção de crianças por homossexuais, parecem abrir pouco a pouco o caminho para uma sociedade que se diz majoritariamente secular, moderna e liberal.

Desde seu estabelecimento, em 1948, Israel foi concebido como "nação independente, defesa e refúgio do Judaísmo no mundo", manifestou recentemente o atual primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

O movimento sionista, fundado no século XIX, transformou esse conceito em um modo de vida, e o Estado de Israel o traduziu em políticas, outorgando a cidadania a todo judeu que decidisse se estabelecer no país, segundo uma lei de 1950, e estabelecendo as bases para o domínio da ortodoxia religiosa na vida civil.

As primeiras eleições para o Parlamento israelense (Knesset), em janeiro de 1949, fixaram o padrão de convivência entre os setores laicos e religiosos.

O então primeiro-ministro, David Ben-Gurion, à frente de uma coalizão de esquerda, precisou do apoio dos partidos religiosos para formar seu Governo, o que o levou a aceitar a criação de leis para impor a observância religiosa e dar privilégios especiais à comunidade ultra-ortodoxa.

Entre estas leis está a polêmica isenção do serviço militar a todos os estudantes que freqüentassem as escolas rabínicas, que segue vigente hoje em dia.

Além disso, o shabat (sábado) e todas as festividades judias foram instituídos como festas nacionais e são celebrados e observados pela população judaica, em menor ou maior medida.

A maior parte das leis que ditam o comportamento da sociedade civil, como o casamento, o divórcio, os enterros e a venda de produtos alimentícios que não seguem as normas judaicas, demonstra que não existe uma clara separação entre religião e Estado.

Nos primeiros anos, os ultra-ortodoxos se mostraram receosos em relação ao Estado - pois consideravam que somente com a chegada do messias haveria uma legítima soberania judaica na bíblica Terra de Israel -, mas, nas últimas décadas, demonstram cada vez mais interesse pela política.

O partido ortodoxo sefardita Shas, que faz parte da atual coalizão de Governo, experimentou desde os anos 90 um aumento de sua representação parlamentar.

As diversas ondas de imigração - cada uma com suas questões étnicas, comunitárias, religiosas, culturais e sociais - também evidenciam as diferenças sociais e fazem com que as diferenças entre seculares, conservadores, praticantes e ultra-ortodoxos nem sempre fiquem claramente definidas.

Se a ortodoxia é determinada pelo grau de aderência às leis e práticas religiosas judaicas, então 20% dos judeus de Israel seguem todos os preceitos religiosos, enquanto 60% adotam alguma combinação destas regras e 20% são basicamente não praticantes, segundo as estatísticas.

De seus sete milhões de habitantes, 79,8% são judeus (mais da metade nascidos no país, os demais provenientes de cerca de 70 países de todo o mundo), 16,8% são árabes (em sua maioria muçulmanos) e o restante 1,7% inclui drusos, circassianos e outros grupos não classificadas segundo a religião. EFE db/mh

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