Israel enterra soldados entregues pelo Hezbollah

Milhares de israelenses participaram nesta quinta-feira em silêncio dos funerais dos dois soldados que tiveram os corpos devolvidos na véspera pelo Hezbollah. Ehud Golswasser e Eldad Regev foram enterrados em cerimônias diferentes, marcadas pela sobriedade e a emoção.

AFP |


AP
Israel enterra o soldado Goldwasser
Israel enterra o soldado Goldwasser
Segundo um informe de médicos legistas militares, ambos foram mortos no dia 12 de julho de 2006, quando desapareceram perto da fronteira com o Líbano, depois do lançamento de um foguete RPG contra o veículo em que viajavam. O corpo de Eldad Regev apresentava, além disso, um impacto de bala na cabeça.

O Hezbollah xiita libanês, no entanto, manteve sua morte em segredo até quarta-feira, pouco antes de devolver seus corpos como parte de uma troca com o Estado hebreu, que libertou cinco presos libaneses e devolveu os cadáveres de 199 combatentes palestinos e libaneses.

"Para ti, defender o país era um privilégio e não um dever, e eu te beijei como de costume antes que partisse. Nunca te esquecerei", disse Karnit Goldwasser, a viúva do soldado, que teria completado 33 anos na sexta-feira passada.

Ehud Barak, presente ao funeral, prometeu: "como ministro da Defesa, se por desgraça um de nós cair nas mãos do inimigo, faremos todo o possível para levá-lo de volta a casa".

Familiares, amigos e pessoas anônimas se reuniram no setor militar do cemitério de Nahariya (norte de Israel) para prestar uma última homenagem ao soldado.

A família do soldado Gilad Shalit, refém do movimento islâmico palestino Hamas na Faixa de Gaza desde o final de junho de 2006, também estava presente, assim como vários deputados, entre eles o ex-primeiro-ministro e líder da oposição de direita (Likud), Benjamin Netanyahu.

O outro soldado israelense, Eldad Regev, que completaria 28 anos em agosto, foi enterrado por sua vez no cemitério militar de Haifa, norte do país, na presença de centenas de pessoas.

"Estou orgulhoso. Estou orgulhoso de meu país que lutou para que retornaste. Estou orgulhoso de ser parte dos que amam, não dos que odeiam", declarou Opher Regev, um de seus três irmãos, no elogio fúnebre.

"Estou orgulhoso de ti, Eldad, irmãozinho (...). Descansa em paz Eldad, voltaste para casa", acrescentou com a voz alquebrada pela emoção.

Os três irmãos Regev e seu pai, Zvi, abraçaram-se depois. A mãe morreu há vários anos.

Os participantes se reuniram em seguida em torno das sepulturas, antes do enterro e da leitura do kadish, a oração judia para os mortos.

Foram depositados ramos de flores e os companheiros de Ehud Goldwasser e Eldad Regev saudaram as memórias deles com três salvas de tiros.

No Líbano, vários caminhões com os restos dos 199 combatentes libaneses e palestinos entregues por Israel saíram nesta quinta de Naqura (fronteira sul do Líbano) para o sul de Beirute, reduto do Hezbollah, onde se prepara uma cerimônia em homenagem aos "mártires".

Os caixões, envoltos com as bandeiras libanesa ou palestina segundo a origem dos corpos, foram depositados em caminhões ornados com flores e com a inscrição "Operação Al-Radwane".

O Hezbollah batizou a operação com o nome de um de seus mais importantes dirigentes militares, Imad Mughniye, morto em fevereiro em Damasco em um atentado que o movimento xiita atribuiu a Israel.

Em uma cerimônia organizada pelo Hezbollah antes da partida da caravana para Beirute, as pessoas jogaram flores brancas e arroz sobre os caixões.

O Irã saudou nesta quinta-feira a libertação dos cinco prisioneiros libaneses, classificando-a de "êxito" para o movimento xiita e para o povo libanês, segundo a agência estatal Irna.

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