A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou nesta segunda-feira que Israel enfrenta escolhas difíceis, porém necessárias com relação à paz no Oriente Médio.

AP
Hillary fala ao grupo de lobby pró-Israel AIPAC

Hillary fala ao grupo de lobby pró-Israel AIPAC

Falando ao influente grupo de lobby pró-Israel AIPAC após um momento turbulento nas relações entre o país e os EUA, Hillary disse que a administração Obama tem um compromisso "sólido como pedra" com a paz e a segurança de Israel.

Mas ela identificou a política de Israel de expandir os assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia como obstáculo ao processo de paz, algo capaz de colocar em risco os esforços dos EUA para levar Israel e os palestinos de volta à mesa de negociações.

"As novas construções em Jerusalém Oriental ou na Cisjordânia prejudicam a confiança mútua e colocam em risco as conversações de proximidade, que são o primeiro passo em direção às negociações plenas que os dois lados querem e necessitam", disse Hillary.

"Elas expõem divergências entre Israel e os Estados Unidos, algo que outros na região podem querer explorar. E isso prejudica a capacidade singular da América de exercer um papel no processo de paz - papel esse que, vale acrescentar, é essencial."

A questão dos assentamentos judaicos azedou as relações dos EUA com seu aliado mais estreito no Oriente Médio. Durante a visita do vice-presidente norte-americano Joe Biden à região, Israel aprovou planos para novas construções em Jerusalém Oriental, levando os palestinos a dizer que se retirariam das conversações indiretas que Washington acabara de conseguir promover.

Hillary Clinton deve reunir-se ainda nesta segunda-feira com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que está visitando os EUA, enquanto o enviado de paz dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, está na região procurando reiniciar as conversas.

Netanyahu, que chegou a Washington na manhã desta segunda, propôs um conjunto de medidas para aumentar a confiança após a questão dos assentamentos, mas declarou no domingo que Israel não abrirá mão de seu direito de construir assentamentos judaicos em volta de Jerusalém.

Hillary enfatizou a visão de Washington de que o status quo entre Israel e os palestinos é insustentável, dizendo que "a dinâmica da demografia, ideologia e tecnologia" vai acabar por impor mudanças políticas.

Esse status quo também estaria complicando muitos outros objetivos políticos dos EUA na região, incluindo seus esforços para conseguir formar uma frente unida contra o programa nuclear iraniano, disse a secretária.

"Existe um outro caminho," disse ela. "Um caminho que conduz à segurança e prosperidade para todas as pessoas da região. Esse caminho vai exigir que todas as partes, incluindo Israel, façam escolhas difíceis, mas necessárias."

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