Israel, em crise política, homenageia seus soldados mortos em combate

Em meio a um clima de crise política, Israel homenageou nesta quarta-feira seus soldados e civis mortos em combate e em atentados.

AFP |

Como acontece a cada ano, "lembramos os nossos filhos que lutaram e se sacrificaram para que Israel viva. Nos comprometemos a perpetuar sua memória, a lutar pela sobrevivência do Estado e a batalhar por um futuro melhor", declarou o chefe do governo israelense, Ehud Olmert, em um discurso transmitido pela rádio pública.

O Estado hebreu começou na noite de terça-feira a observar o Dia da Lembrança, dedicado aos soldados mortos durante os conflitos armados que povoaram seus 60 anos de história.

As bandeiras foram colocadas a meio pau nos prédios públicos em homenagem aos 22.437 soldados israelenses que caíram em campos de batalha desde a criação do Estado hebreu, em 14 de maio de 1948.

O Dia da Lembrança se volta, também, para os 1.634 civis israelenses mortos em atentados.

Segundo o protocolo, às 11h00, horário local, as sirenes soaram durante dois minutos em todo o território nacional. Os israelenses pararam suas atividades por respeito às vítimas.

Logo depois, Olmert presidiu uma cerimônia no prédio militar do cemitério do monte Herzl, em Jerusalém oeste, onde está enterrada a maioria das personalidades históricas do país.

Na terça-feira, Olmert admitiu que é "difícil ser o primeiro-ministro de Israel", referindo-se à uma investigação policial sobre um novo caso de corrupção que o envolve e que é considerado "algo muito sério" pela imprensa local.

O tribunal que cuida do caso impôs silencio absoluto sobre o assunto, mas permitiu divulgar que "um cidadão estrangeiro, considerado testemunha principal" havia sido interrogado.

A classe política já começou a falar sobre uma eventual renúncia ou suspensão de Olmert, e inclusive de eleições antecipadas, ainda que, pela legislação, o governo atual deva atuar até novembro de 2010.

O chefe de governo assegurou que "a solução do conflito israelense-palestino está ao alcance das mãos".

"Estamos dialogando com aqueles que entendem nossa língua, mas o eixo do ódio e do terror, que conhecemos bem, faz de tudo para impedir-lo", afirmou, referindo-se, aparentemente, ao Irã.

Outras cerimônias foram realizadas em diferentes locais e monumentos nos 43 cemitérios militares israelenses.

O exército israelense fechou o acesso à Cisjordânia até que se cumpram "as festividades da independência", na quinta-feira à noite.

"Disponibilizamos milhares de homens que estão em estado de alerta máximo", indicou o porta-voz da polícia, Miki Rosenfeld.

Na véspera, o presidente israelense, Shimon Peres, abriu o "Dia da Lembrança", durante uma cerimônia na esplanada junto ao Muro das Lamentações na cidade antiga, no setor oriental de Jerusalém, conquistada e anexada em 1967.

"Queremos viver em paz com nossos vizinhos e desejamos estender-lhes a mão, mas nossos inimigos sabem que também podemos apertar o gatilho", declarou o chefe de Estado israelense.

Ao final do Dia da Lembrança, Israel começará a celebrar, segundo o calendário hebraico lunar, o 60º aniversário da proclamação de sua criação.

De acordo com dados oficiais, o Estado hebreu possui 7,3 milhões de habitantes, dos quais 5,5 milhões são judeus e 1,5 milhão são árabe-israelenses, estes últimos descendentes dos palestinos que permaneceram em suas terras após a criação de Israel.

Demonstrações aéreas e navais, fogos de artifício, saltos de pára-quedas, espetáculos de luz e som, exposições e shows, fazem parte da programação da comemoração em Israel, que receberá, nas próximas semanas, os presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.

ChW/cl/sd

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