Israel e Síria negociam paz com mediação da Turquia

Antonio Pita Jerusalém, 21 mai (EFE) - Israel e Síria retomaram negociações de paz indiretas com a mediação da Turquia, oito anos depois que os dois países quase chegaram a um acordo para demarcar fronteiras seguras entre o Estado judeu e o regime de Damasco.

EFE |

"Decidimos prosseguir o diálogo de forma séria e contínua para conseguir uma paz completa segundo os termos da Conferência de Madri" de 1991, anunciaram em comunicados divulgados quase simultaneamente em Jerusalém, Damasco e Ancara.

No texto, ambas as partes manifestam "sua intenção de realizar essas conversas de boa fé e com a mente aberta" e agradecem ao primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, pelo "seu papel neste processo e sua generosa hospitalidade".

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que ainda vai explicar perante o Parlamento a retomada do diálogo com a Síria.

A mediação da Turquia foi estipulada em fevereiro pelo primeiro-ministro israelense e por Erdogan em encontro privado em Ancara.

Há algumas semanas, o presidente sírio, Bashar al-Assad, revelou que Olmert tinha oferecido através de Erdogan a devolução das Colinas do Golã (tomadas por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967) em troca da paz entre os países.

A proposta não se concretizou nas fracassadas conversas de Genebra de 2000, que tiveram a mediação do então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

As negociações fracassaram pela recusa israelense em aceitar uma retirada total nas Colinas do Golã, um planalto ao nordeste de Israel onde moram cerca de 18 mil colonos judeus e um número similar de drusos, que são fiéis ao Governo de Damasco.

Os representantes dos assentamentos judaicos nas Colinas do Golã já mostraram sua indignação com esse ato, considerado por eles "irresponsável por transferir uma terra estratégica e colonizada ao eixo do mal árabe".

Embora na era dos mísseis balísticos os analistas tenham diminuído o valor estratégico da região, eles concordam em que sua entrega representaria para Israel a perda de uma parte da margem leste do lago Tiberíades, sua principal fonte de recursos hídricos.

A Síria - principal partidária da linha dura contra o Estado judeu entre os países árabes - e Israel se encontram em estado de "não beligerância" desde 1974, embora desde então tenham se enfrentado em solo libanês e aviões israelenses tenham bombardeado em várias ocasiões o território sírio.

O último ataque aconteceu em setembro do ano passado, quando aviões israelenses destruíram no norte da Síria o que, segundo revelou a CIA (agência central de inteligência americana) meses depois, era o embrião de uma usina nuclear que estava sendo construída com ajuda da Coréia do Norte.

Segundo Damasco, o alvo do ataque era uma área despovoada onde estavam sendo construídas instalações militares.

A recuperação das Colinas do Golã fortaleceria o regime de Damasco perante seu povo, que há décadas deseja a integridade territorial do país.

Porém, a Síria teria que pagar o preço pedido por Israel, que exige a ruptura de suas atuais alianças com o Irã, com o movimento islâmico Hamas e com a milícia xiita libanesa Hisbolá, que há dois anos enfrentou o Exército israelense durante 33 dias de combates.

O presidente sírio está consciente de que só poderá recuperar pela via diplomática um território que dificilmente tomaria à força do Exército mais poderoso do Oriente Médio.

O diálogo pode dar novo fôlego a Olmert, envolvido em um novo caso de corrupção, e a Assad, submetido a uma forte pressão por parte dos EUA e da União Européia (UE).

Enquanto a esquerda israelense aplaudiu o anúncio, a direita não demorou a criticá-lo, alegando ser uma "cortina de fumaça" para tirar o foco da delicada situação do chefe de Governo diante da Justiça. EFE ap/rr/db

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