Israel é responsável por seis incidentes graves durante ofensiva em Gaza (ONU)

Israel é responsável por seis episódios que provocaram mortes durante sua ofensiva na Faixa de Gaza em dezembro e em janeiro passados, indicou um relatório da ONU divulgado nesta terça-feira.

AFP |

"Em seis dos nove incidentes examinados, os mortos, feridos e as destruições foram causados por ações militares das Forças de Defesa de Israel (IDF), usando munições lançadas do ar ou do próprio solo", diz um resumo do documento enviado ao Conselho de Segurança e comunicado à imprensa.

Um sétimo incidente, menos grave, também foi atribuído a disparos israelenses com armas leves. Um oitavo, em troca, é atribuído a "uma facção palestina, provavelmente o Hamas", e a responsabilidade por um nono episódio não pôde ser estabelecida.

O relatório foi elaborado por uma comissão independente de investigação escolhida pela ONU para examinar nove incidentes durante os quais dependências das Nações Unidas na Faixa de Gaza sofreram bombardeios, atribuídos em sua maioria a Israel, e que deixaram mortos, feridos ou grandes danos materiais.

O quartel-general da Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) e várias de suas escolas foram atingidas por ataques israelenses durante a ofensiva que fez mais de 1.400 mortos palestinos.

"Nenhuma atividade militar foi iniciada em instalações da ONU no momento desses incidentes", acrescenta o informe, que contradiz assim as afirmações das autoridades israelenses naquele momento.

O documento acusa o governo de Israel de não ter "feito esforços suficientes, nem tomado as precauções necessárias para cumprir com a responsabilidade de respeitar a inviolabilidade das instalações da ONU e proteger os civis nesses lugares".

"As ações das forças israelenses envolvem diversos graus de negligência e de imprudência" em relação a essas instalações e seus ocupantes, e "tiveram como consequência mortos, feridos e danos materiais", acrescenta o documento.

A comissão investigadora recomenda à ONU que exija de Israel "um reconhecimento formal de que suas afirmações públicas no sentido de que palestinos haviam efetuado, no dia 6 de janeiro, disparos a partir da escola Jabalia da UNRWA e, no dia 15 de janeiro, do escritório desse organismo eram falsas e que Israel as lamenta".

Também recomenda que a ONU inicie os trâmites para fazer com que Israel pague as indenizações financeiras pelos gastos resultantes desses episódios.

O governo israelense já rechaçou o relatório da comissão, afirmando que é favorável ao grupo islâmico Hamas.

Após a divulgação do informe, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou sua intenção de "exigir reparações pelos danos sofridos pela ONU".

Destacando o "caráter independente" da comissão, desmentiu as informações da imprensa indicando que ele havia abrandado o relatório devido à pressão das autoridades israelenses. "Não tenho autoridade alguma para modificar o conteúdo do documento", disse Ban Ki-moon em resposta a uma pergunta sobre o assunto.

Ban Ki-moon agradeceu tanto ao governo israelense quanto às autoridades palestinas por sua cooperação na investigação.

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