Israel e palestinos retomam negociações de paz nos EUA

Segundo enviado dos EUA para o Oriente Médio, líderes voltarão a se reunir entre 14 e 15 de setembro e depois a cada duas semanas

iG São Paulo |

AP
A secretária de Estado Hillary Clinton observa presidente palestino, Mahmud Abbas (à dir.), enquanto ele aperta a mão de premiê israelense, Benyamin Netanyahu, nos EUA
Com mediação dos EUA, representada pela secretária de Estado Hillary Clinton, o primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmud Abbas, retomaram nesta quinta-feira em Washington negociações diretas de paz após um hiato de quase dois anos.

Segundo o enviado especial dos EUA para Oriente Médio, George Mitchell, os dois mantiveram uma produtiva primeira sessão e concordaram em se reunir no Oriente Médio entre 14 e 15 de setembro e sucessivamente a cada duas semanas após essa data. De acordo com Mitchell, as negociações, que ainda estão ocorrendo, refletiam "as boas intenções e a seriedade do propósito" de ambos os líderes.

No início do diálogo, marcado pelo ceticismo de ambos os lados e pela recente onda de violência no território palestino da Cisjordânia, Netanyahu afirmou a Abbas que serão necessárias "concessões dolorosas" de Israel e dos palestinos para se chegar a um acordo no prazo de um ano.

"Uma paz duradoura só conseguiremos com concessões mútuas, do lado israelense e do lado palestino, pelo meu lado e pelo seu", disse o premiê israelense, que pediu que os palestinos reconheçam Israel como um Estado.

Por sua vez, Abbas pediu a Netanyahu que Israel acabe com a colonização e suspenda o embargo da Faixa de Gaza, que está sob bloqueio desde que o grupo islâmico Hamas expulsou as forças do partido laico Fatah e tomou o controle do território, em 2007.

Ao dar início às negociações, Hillary agradeceu a Abbas e Netanyahu por sua "coragem e compromisso". "A decisão de sentar-se nesta mesa não foi fácil. Entendemos a suspeita e o ceticismo (...) agradeço a coragem e o compromisso", disse. Ela também reivindicou que os palestinos reconheçam o Estado de Israel.

Retomada do diálogo

Na quarta-feira, o presidente americano, Barack Obama, manteve encontros separadamente com os dois líderes na Casa Branca, conclamando Netanyahu e Abbas a não deixar a chance de uma paz permanente "escapar" .

A iniciativa para um acordo ocorre em meio à nova onda de violência no território palestino da Cisjordânia. Na quarta-feira, dois israelenses foram feridos a tiros quando o carro em que viajavam ficou sob fogo de outro veículo perto do assentamento judaico de Kochav Hashachar, a leste de Ramallah. Um dos feridos está em estado grave no hospital.

O ataque aconteceu menos de 24 horas depois que outro ataque na Cisjordânia deixou quatro mortos . O grupo islâmico Hamas reivindicou as duas ações.

Nesta quinta-feira, o porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri disse que o grupo continuará atacando israelenses, apesar de uma repressão que levou à prisão de vários de seus membros por Israel e pela Autoridade Palestina. O Exército israelense advertiu que pode haver mais ataques com o objetivo de prejudicar as negociações em Washington.

Na véspera do encontro desta quinta-feira, Obama condenou a violência e reiterou que extremistas e rejeicionistas não atrapalharão a nova rodada de diálogo. Segundo o presidente americano, as negociações objetivam um acordo que leve à solução com base em dois Estados.

Nesta quinta-feira ainda, grupos de militantes palestinos juntaram forças para intensificar os ataques contra Israel. Um porta-voz do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, disse que 13 grupos militantes se juntaram para perpetrar "ataques mais eficazes" contra Israel.

Repercussão

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou-se entusiasmado com a retomada de negociações. Indagado sobre a possibilidade de incluir no processo o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, Ban criticou, sem mencionar nomes, "os grupos cínicos que querem tirar o processo de paz de seu curso e contra os quais temos de lutar".

Da mesma maneira, Ban Ki-moon reiterou seu apoio a Abbas, do partido laico Fatah, que controla a Cisjordânia. "Sua liderança é reconhecido pela comunidade internacional. Como secretário-geral da ONU e membro do Quarteto de Paz (EUA, UE, ONU e Rússia), continuarei trabalhando com ele", disse.

Em um comunicado, o papa Bento 16 e o presidente de Israel, Shimon Peres, expressaram o desejo de que o reatamento de contatos diretos "ajude a alcançar um acordo respeitoso das legítimas aspirações dos dois povos". Em Castelgandolfo, Peres foi recebido em audiência pelo papa, com quem manteve uma conversa e lembrou a peregrinação de sua santidade à Terra Santa em 2009.

*Com BBC, EFE e AFP

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