Enquanto autoridades se preparam para segunda rodada de diálogo, chanceler israelense diz que palestinos agem de má fé

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, depreciou a importância dos contatos diplomáticos recém-restabelecidos com os palestinos nesta segunda-feira, acusando-os de má fé na pacificação.

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Ministro das Relações Exteriore israelense, Avigdor Lieberman, chega à reunião semanal do gabinete em Jerusalém (18/12/2011)
AP
Ministro das Relações Exteriore israelense, Avigdor Lieberman, chega à reunião semanal do gabinete em Jerusalém (18/12/2011)

Em resposta, os palestinos disseram que Israel estava em falta por solidificar seu domínio sobre a Cisjordânia ocupada. A troca de acusações ocorreu enquanto as duas partes se preparavam para uma segunda rodada de negociações que, apesar de envolver apenas o baixo escalão, são potencialmente decisivas.

Lieberman, um parceiro linha-dura da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - e que costuma ser marginalizado nas questões de Estado -, disse a parlamentares em Jerusalém que os palestinos somente concordaram em retomar os contatos na semana passada depois de serem "arrastados contra sua vontade" para a capital da Jordânia, Amã.

A reunião na Jordânia foi a primeira desde que as negociações diretas foram paralisadas em 2010, quando o presidente palestino, Mahmoud Abbas, exigiu a suspensão da construção de assentamentos israelenses antes que as negociações seguissem adiante. Israel havia imposto anteriormente um congelamento parcial nas construções.

"Eles estão preparando uma base de desculpas para transferir a responsabilidade pelo fracasso das negociações para Israel", disse Lieberman, segundo uma transcrição oficial do encontro parlamentar.

A reunião sediada na Jordânia incluiu o chamado Quarteto de negociantes da paz - os Estados Unidos, a União Europeia, Rússia e Nações Unidas -, que em 26 de outubro deu aos dois lados três meses para apresentar suas propostas sobre território e segurança.

Os palestinos veem um obstáculo insuperável na expansão israelense de assentamentos judeus na Cisjordânia. Eles querem erguer seu próprio Estado na Cisjordânia, no leste de Jerusalém e na Faixa de Gaza - territórios que Israel capturou na Guerra de 1967.

A maioria dos países considera os assentamentos ilegais. Israel rebate isso, e diz que irá manter alguns blocos de assentamentos sob qualquer acordo de paz, segundo entendimentos bilaterais alcançados em 2004 com o então presidente norte-americano George W. Bush (2001-2009).

Internacionalização

"Todos os lados no Quarteto e nossos irmãos na Jordânia veem uma seriedade total do lado palestino, e uma tentativa israelense de transformar essas negociações em perda de tempo, com uma campanha intensificada de construção de assentamentos", disse Yasser Abed Rabbo, conselheiro-sênior de Abbas.

Em Amã, uma fonte diplomática regional descreveu a segunda rodada de negociações, feita a portas fechadas, como uma chance de avaliar perspectivas a longo prazo. "Essa rodada é ainda mais importante" do que a introdutória, disse a fonte. "Temos que ver o resultado, e o que vem agora".

Lieberman disse que os palestinos, que no ano passado desafiaram Israel e a censura de Washington se candidatando à adesão plena na ONU, pretendiam retomar essa campanha de "internacionalização" depois de 26 de janeiro, a data estabelecida pelo Quarteto. Um porta-voz de Netanyahu não quis comentar as declarações de Lieberman.

Com Reuters

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