Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta terça-feira aponta que tanto o Exército de Israel como as forças de segurança palestinas cometeram crimes de guerra durante o conflito na Faixa de Gaza entre o final do ano passado e o início deste ano.

O levantamento, feito por uma equipe liderada pelo juiz sul-africano Richard Goldstone, critica Israel por ter usado "força desproporcional" e "punições coletivas" durante a ofensiva de três semanas em Gaza, que terminou em janeiro.

De acordo com o documento, a operação militar israelense foi direcionada contra o "povo de Gaza como um todo", com o "objetivo de punir a população de Gaza por seu aparente apoio ao Hamas e possivelmente com a intenção de mudar este apoio".

"Nestas circunstâncias, a missão conclui que o que aconteceu (...) foi um ataque deliberado desproporcional que tinha o objetivo de humilhar e aterrorizar a população", diz o relatório.

Os ataques com foguetes por parte do grupo palestino Hamas também são criticados no documento, que diz que eles não faziam distinção entre alvos militares e a população civil, levando a crimes de guerra.

Segundo o documento, os ataques com foguetes e morteiros do Hamas "causaram terror nas comunidades afetadas do sul de Israel", assim como "perda de vidas e danos físicos e mentais a civis, danos a casas, prédios religiosos e propriedades".

A justificativa oficial do governo israelense para iniciar a ofensiva foi a de impedir os ataques com foguetes por parte dos palestinos.

Imparcialidade

O relatório ainda afirma que os dois lados podem ter cometido crimes contra a humanidade durante o conflito.

O governo de Israel, que se recusou a colaborar com as investigações, questionou a imparcialidade do relatório e afirmou que o documento pende "claramente para um lado".

Israel ainda afirmou "está comprometido em agir em completo acordo com a lei internacional e que irá examinar qualquer alegação de delito por parte de suas forças".

Richard Goldstone pede no documento que os dois lados envolvidos no conflito conduzam apurações independentes sobre as supostas violações e que apresentem as conclusões ao Conselho de Segurança da ONU no prazo de seis meses.

Caso isto não seja feito da maneira apropriada, Goldstone recomenda que o Tribunal Penal Internacional seja consultado.

Segundo as autoridades palestinas e grupos de defesa dos direitos humanos, mais de 1,4 mil pessoas morreram durante os conflitos. O governo israelense, no entanto, afirma que este número é de 1.166.

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