JERUSALÉM - O governo de Israel e os dirigentes do Hamas rejeitaram nesta sexta-feira a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para um cessar-fogo. No 14º dia de confronto, o número de mortos já chega a quase 800, segundo fontes médicas palestinas.


Em comunicado, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert afirmou que Israel "nunca esteve de acordo em que terceiros determinem seu direito de defender sua cidadania", acrescentando que "o Exército continuará sua operação para defender a população até que complete as missões".

Com a única abstenção dos Estados Unidos, o Conselho de Segurança adotou uma resolução que pede a declaração de um cessar-fogo imediato em Gaza, a retirada das tropas israelenses e a entrada sem impedimentos de ajuda humanitária ao território palestino.

Mas, segundo Olmert, os mais de 20 foguetes que caíram nesta sexta em Israel "mostram que a resolução não é prática, e não será respeitada pelas organizações palestinas assassinas".

Hamas também diz "não"

O Hamas também não aceitou o documento, elaborado pelo Reino Unido em colaboração com a França e os países árabes, embora o veja como prova do fracasso da ofensiva militar israelense em Gaza, segundo afirmou, em Beirute, o dirigente Osama Hamdan, em declarações à imprensa local.

Para Hamdan, a resolução do Conselho de Segurança "não leva em conta o interesse palestino e não fala nem da suspensão do bloqueio nem da abertura das passagens fronteiriças" em Gaza.

Uma delegação do Hamas, incluindo alguns de seus representantes na Faixa de Gaza, viajará no sábado ao Cairo para discutir o plano egípcio de cessar-fogo no território palestino, informou um alto dirigente do grupo radical islâmico, Mussa Abu Marzuk.

Mussa Abu Marzuk, que está no exílio em Damasco, afirmou que a delegação do grupo pedirá esclarecimentos sobre o plano de três pontos proposto nesta terça-feira pelo Egito. "Sobre cada ponto há muitas questões e precisamos de esclarecimentos", afirmou.

O plano proposto pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, prevê "um cessar-fogo imediato por período limitado", que permita a organização de corredores humanitários e dê tempo ao Egito para trabalhar em prol de uma trégua "global e definitiva".

Corredor humanitário

Nesta sexta-feira, Israel e o Hamas interromperam novamente   as operações militares na Faixa de Gaza, obedecendo a determinação de respeitar as três horas diárias de cessar-fogo por razões huminitárias. A trégua já havia acontecido na quarta e na quinta-feira na região, para permitir que a população se reorganize. 

As atividades humanitárias da ONU, no entanto, seguem suspensas desde que, na quinta-feira, um ataque israelense atingiu um comboio da organização.

Nesta sexta, oficiais da ONU disseram que as atividas humanitárias em Gaza serão retomadas "o mais rápido possível", depois de o Ministério da Defesa de Israel ter dado garantias de que os funcionários da organização estarão protegidos.

Segundo a porta-voz da ONU, Michele Montas, as Forças Armadas israelenses "lamentaram profundamente" o ataque ao comboio que forçou a interrupção das atividades da agência.

14º dia de bombardeios

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