Israel e Hamas discutem trégua, apesar de incerteza política

Por Adam Entous JERUSALÉM (Reuters) - Representantes de Israel e do Hamas disseram na quarta-feira que as conversações mediadas pelo Egito para uma trégua de mais longo prazo entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza pós-guerra vão continuar, apesar da incerteza em relação à formação do próximo governo israelense.

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Líderes do Hamas sugeriram que a influência crescente da direita israelense poderia impedir o premiê Ehud Olmert, em final de mandato, de fechar um acordo.

A eleição da terça-feira em Israel terminou num impasse político que pode levar semanas para ser resolvido. A centrista Tzipi Livni, que assumiu o lugar de Olmert na liderança do partido Kadima, tem uma vantagem estreita. Mas muitos pensam que o direitista Benjamin Netanyahu tem condições melhores de formar um novo governo de coalizão.

Falando de modo anônimo, autoridades israelenses disseram que as negociações no Cairo para uma trégua proposta de 18 meses não serão suspensas enquanto Livni e Netanyahu disputam qual deles será nomeado premiê pelo presidente Shimon Peres.

"O governo atual liderado por Olmert tem autoridade plena até o novo governo tomar posse. Não é possível ter um vácuo de poder", disse um alto funcionário israelense.

O Egito propôs um processo em várias etapas, começando com uma declaração de cessar-fogo, um acordo de troca de prisioneiros, a abertura das fronteiras da Faixa de Gaza com Israel e o Egito, e conversações de reconciliação entre as facções palestinas rivais.

Se o processo for concluído, tomará o lugar do cessar-fogo instável declarado unilateralmente pelas duas partes em 18 de janeiro, após a ofensiva militar de 22 dias lançada por Israel na Faixa de Gaza, na qual cerca de 1.300 palestinos foram mortos. Quatorze israelenses foram mortos desde 27 de dezembro, quando a ofensiva começou.

Como um cessar-fogo na Faixa de Gaza será um acordo bilateral entre Israel e o Egito, o alto funcionário israelense disse que o próximo governo terá que respeitá-lo.

Osama Hamdan, representante do Hamas no Líbano, disse que o governo de Olmert já deixou claro para o Egito que quer que as negociações prossigam. Mas ele questionou se tal acordo terá que ser respeitado pelo próximo governo de Israel, especialmente se for chefiado por Netanyahu.

Um porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, disse que o grupo aguarda para ver qual será a posição de Israel em relação a alguns dos pontos em disputa nas negociações.

Autoridades israelenses e palestinas enviaram sinais mistos quanto ao status das conversações para a troca de prisioneiros, que provavelmente serão intensificadas se a trégua proposta for implementada.

O Hamas exigiu a libertação por Israel de 1.400 prisioneiros palestinos em troca de Gilad Shalit, soldado israelense capturado por militantes da Faixa de Gaza em 2006. Diplomatas disseram que Israel provavelmente libertará perto de mil prisioneiros.

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