Israel e Hamas desafiam apelo por paz e mantêm ataques

Por Nidal al-Mughrabi, GAZA - Israel atacou a Faixa de Gaza neste sábado pelo 15º dia seguido e militantes do Hamas dispararam foguetes em retaliação. Assim, os dois lados continuam desafiando os esforços internacionais para encerrar o conflito.

Reuters |

As Forças Armadas de Israel entraram na terceira semana de ofensiva / AP

Oito palestinos foram mortos pelo disparo de um tanque israelense em Jabalya, no norte da Faixa de Gaza, e um bombardeio em uma casa perto de Beit Lahiya matou uma mulher, disseram médicos palestinos.

Foguetes do Hamas atingiram a cidade de Ashkelon, cerca de 20 quilômetros ao norte de Gaza, ferindo dois israelenses.

Preocupado com o grande impacto da guerra nas 1,5 milhão de pessoas que moram no território, sendo que mais da metade dependem de ajuda alimentícia, a Organização das Nações Unidas (ONU) disse que esperava restaurar a distribuição total de ajuda neste sábado, após receber garantias de Israel de que os membros da entidade não serão feridos.

Apesar de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU pedindo um cessar-fogo e de esforços de mediação do conflito do Egito e de países europeus, Israel parece estar preparado para intensificar sua ofensiva, que tem o objetivo de interromper os ataques com foguetes do Hamas. Os palestinos, em resposta, dispararam contra o território israelense.

"Israel está determinado a lidar com este assunto até uma conclusão positiva, até que não haja terrorismo em Gaza contra Israel", afirmou à Rádio Israel Rafi Eitan, um membro do gabinete de Segurança do país.

Em continuação à política dos últimos dias, Israel deve cessar suas operações por três horas neste sábado para permitir que ajuda humanitária seja distribuída em Gaza.

Autoridades médicas na Faixa de Gaza disseram que o número de palestinos mortos no conflito chegou a 795, dos quais mais de um terço são crianças, de acordo com o Ministério da Saúde dirigido pelo Hamas. Do lado israelense houve 13 baixas: dez soldados e três civis atingidos por foguetes do Hamas.

Esforços

Na tentativa de impulsionar um esforço de mediação liderado pelo Egito, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, cujo partido, o Fatah, é um rival político do Hamas, encontrou-se com o seu colega egípcio Hosni Mubarak para negociações no Cairo.

Eles discutiram o possível destacamento de forças internacionais na fronteira entre Gaza e o Egito no caso de qualquer acordo de cessar-fogo, mas Abbas afirmou que as tropas deveriam ficar dentro de Gaza, e não na sua fronteira.

Internamente, diplomatas acreditam que a iniciativa egípcia, também apoiada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, está ameaçada, mesmo com Israel alegando que conversas sobre a proposta continuariam e o Hamas tendo enviado representantes ao Cairo.

"Há um sentimento crescente de que o plano de Egito e França não funcionará", disse à Reuters um alto diplomata europeu.

A resolução do Conselho de Segurança da ONU pedindo um cessar-fogo "imediato e durável" aparenta ter sido ignorada por ambos os lados do conflito. O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, a considerou "impraticável" e autoridades do Hamas na Faixa de Gaza alegaram que se opõem por não terem sido consultadas.

Os Estados Unidos, que se abstiveram na votação da ONU, ofereceram mais apoio público aos objetivos militares de Israel.

"A situação não vai melhorar até que o Hamas pare de jogar foguetes em Israel", afirmou Scott Stanzel, porta-voz da Casa Branca. Ele disse que o presidente George W. Bush expressou sua preocupação sobre a situação humanitária e a perda de vidas civis durante o ataque de Israel.

Com o número de mortos do lado palestino já nas centenas, as ações israelenses sofreram críticas da Cruz Vermelha, de agências da ONU e de governos árabes e europeus. Fontes da Organização das Nações Unidas afirmaram que Israel também está realizando operações na Cisjordânia, detendo cada vez mais suspeitos palestinos.

(Reportagem adicional de Adam Entous e Allyn Fisher-Ilan em Jerusalém)


15º dia de ataques


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