Israel e Hamas chegam a acordo para possível libertação de Shalit

Gabinete israelense votará para aprovar proposta; se aprovada, soldado preso desde 2006 na Faixa de Gaza seria solto até novembro

iG São Paulo |

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Vídeo divulgado pelo Hamas mostra o soldado israelense Gilad Shalit em outubro de 2009
Israel e o movimento islâmico Hamas chegaram a um acordo para a troca de presos palestinos pelo soldado israelense Gilad Shalit, mantido refém desde 2006 na Faixa de Gaza. Segundo o Hamas, 450 prisioneiros serão libertados em uma semana e mais 577 dois meses depois.

Em discurso televisionado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Shalit estará reunido com sua família "em questão de dias".

O chefe do Executivo israelense qualificou as negociações - realizadas na última semana no Cairo com mediação alemã e egípcia - como "muito demoradas e árduas" e assinalou que "a decisão foi muito difícil".

No pronunciamento, Netanyahu disse que entende que a libertação de prisioneiros de palestinos será dolorosa para israelenses que perderam familiares em ataques, mas disse que foi "o melhor acordo possível" dada a instabilidade na região em meio às revoltas populares do mundo árabe.

De acordo com uma fonte palestina ouvida pela AFP, entre os prisioneiros a serem libertados está Marwane Barghuthi, um dos líderes da Segunda Intifada e considerado favorito a suceder Mahmud Abbas na presidência da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Barghuthi está preso desde 2002.  Além dele, o secretário-geral da Frente Popular da Libertação da Palestina (FPLP), Ahmad Saadat, condenado a 30 anos, também deve deixar a prisão.

Israel, no entanto, desmentiu essa informação na noite desta terça. "Marwan Barghuti e Ahmad Saadat não serão libertados", afirmou à imprensa o chefe do serviço de segurança interna Shin Beth, Yoram Cohen.

Segundo o jornal Haaretz, uma autoridade do gabinete de Netanyahu disse que a "janela de negociação foi aberta após temores de que o colapso de regimes do Oriente Médio e o crescimento de forças extremistas pudessem tornar o retorno de Shalit impossível".

Netanyahu fez as declarações antes de apresentar a proposta de acordo a seu governo, num sinal de que está confiante de que ele será aprovado. De acordo com uma fonte israelense, todos os 29 ministros foram convocados para o encontro, no qual se espera que a proposta seja votada. Segunda outra fonte, Netanyahu já se reuniu com seus ministros mais graduados para revisar os nomes de centenas de presos do Hamas a ser soltos.

Um porta-voz do Hamas confirmou que o grupo chegou a um acordo com Israel para a troca. "Estamos em processo de conclusão dos arranjos técnicos para completar o pacto dentro de dias", disse Abu Ubeida à Reuters.

Segundo a Al-Arabiyya, os mediadores egípcios esperam que a troca por Shalit ocorra no máximo até novembro.

O sargento Shalit foi sequestrado durante uma ação na fronteira lançada pelo Hamas e outros grupos militantes palestinos em junho de 2006, de onde o militar foi levado a Gaza. Ele tinha 19 anos na época, e esforços para pôr fim a seu prolongado sequestro tornaram-se uma causa emocional em Israel.

O Hamas venceu as eleições parlamentares em 2006 e então assumiu o total controle de Gaza em 2007, expulsando as forças leais ao presidente Mahmud Abbas, do grupo rival Fatah.

AP
Noam e Aviva Shalid, pais do soldado israelense Gilad Shalid, são fotografados em uma tenda montada do lado de fora da residência do premiê

Um acordo de troca de prisioneiros pareceu próximo no final de 2009, mas depois as negociações fracassaram. Israel e o Hamas culparam um ao outro pelo insucesso. Israel expressou prontidão para a troca de prisioneiros, mas no passado resistiu em soltar alguns dos prisioneiros reivindicados pelo grupo militante, incluindo aqueles que condenou como planejadores e responsáveis por alguns dos ataques mais mortíferos contra Israel em anos recentes.

Há dois anos, Israel libertou 20 palestinas em troca de um vídeo provando que Shalit estava vivo. O governo israelense está sob constante pressão para trabalhar pela libertação do soldado.

Dezenas de milhares uniram-se à família Shalit neste ano para participar de uma marcha de 12 dias de sua casa no sul de Israel para Jerusalém para atrair atenção para o infortúnio de seu filho. Desde então, os pais do militar passaram a maior parte de seus diais em uma tenda na calçada perto da casa da primeiro-ministro.

A expectativa é que a volta de Shalid a Israel tenha um forte e positivo impacto sobre a moral das Forças Armadas do país. Os soldados israelenses são educados segundo a tradição de que voltarão para casa, vivos ou mortos, a qualquer preço. Há poucos dias os restos de um soldado morto na guerra de 1973 foram levados do Egito para um túmulo em Israel.

A libertação dos presos aumenta o prestígio do Hamas entre os palestinos e em todo o mundo árabe.

*Com EFE, Reuters, AFP, NYT e informações de Nahum Sirotsky, de Israel

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