Por Nidal al-Mughrabi FAIXA DE GAZA (Reuters) - Egito e Hamas anunciaram que começará na quinta-feira um cessar-fogo entre Israel e os militantes palestinos da Faixa de Gaza. A trégua, mediada pelo Egito, pode abrandar o bloqueio israelense que vem isolando o território costeiro.

O anúncio chegou num dia em que Israel lançou ataques aéreos que mataram seis militantes na Faixa de Gaza. O cessar-fogo terá como objetivo pôr fim aos ataques de foguetes e morteiros lançados desde Gaza contra Israel e os ataques aéreos e incursões israelenses no território.

'Os dois lados prometeram suspender todas as hostilidades e as atividades militares de um contra o outro', disse um porta-voz do Ministério do Exterior egípcio, Hossam Zaki, no Cairo na terça-feira, após semanas de negociações separadas com Israel e o Hamas.

Confirmando informações dadas à Reuters na terça-feira por uma autoridade palestina em Gaza, Zaki disse que a trégua entrará em vigor às 6h (horário local) da quinta-feira.

Israel declarou que vai continuar a preparar-se para uma possível ação militar em grande escala, caso o cessar-fogo não se concretize.

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Mahmoud al Zahar, confirmou que os grupos militantes concordaram com o cessar-fogo com Israel.

'Nós ... como facções palestinas, concordamos com um cessar-fogo bilateral imediato entre o lado palestino e o lado israelense', disse Zahar a jornalistas em coletiva de imprensa em Gaza, falando em inglês. Ele disse que a intenção é que a trégua dure seis meses.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, adotou tom mais comedido, mas disse que Israel dará todas as chances ao cessar-fogo.

'Ainda é cedo para saudar um cessar-fogo, e, mesmo que ele aconteça, é difícil estimar quanto tempo durará. O teste será sua implementação, mas é importante lhe dar uma chance', disse Barak em discurso proferido perto de Tel Aviv.

O líder sênior do Hamas, Ismail Haniyeh, disse que seu grupo acredita que o cessar-fogo vai se manter e que será benéfico para os cerca de 1,5 milhão de palestinos que vivem no encrave costeiro.

'Acreditamos que aquilo que foi acordado vai durar e que o povo palestino verá os frutos de sua persistência', disse Haniyeh.

BLOQUEIO

Autoridades israelenses e palestinas disseram anteriormente que, sob qualquer acordo de trégua, o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza depois de o Hamas tomar o território da mais secular facção Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, um ano atrás, será levantado de maneira gradativa e parcial.

Israel já autorizou a entrada de ajuda humanitária, mas reduziu o fornecimento de bens não essenciais, como materiais de construção, além de combustível, dizendo que os moradores da Faixa de Gaza não podem querer viver normalmente enquanto os israelenses sofrem ataques de foguetes.

'Se o Hamas mantiver o cessar-fogo, poderemos pouco a pouco ir entregando mais bens e mercadorias', disse um representante de Israel.

Ele acrescentou que qualquer compromisso quanto à quantidade de bens que Israel permitirá que entrem em Gaza será mantido 'propositalmente incerto' e que o principal ponto de travessia entre o encrave e o mundo externo, o terminal de Rafah, na fronteira egípcia, permanecerá fechado por enquanto.

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