Israel e Egito fazem troca de prisioneiros

Prisioneiros egípcios atravessaram a fronteira pouco antes do israelense-americano Ilan Grapel chegar ao aeroporto em Tel Aviv

iG São Paulo |

As autoridades israelenses iniciaram nesta quinta-feira uma troca de 25 prisioneiros egípcios detidos em Israel pelo israelense-americano Ilan Grapel, sob custódia do Egito por acusações de espionagem. Todos os 25 prisioneiros cruzaram a fronteira de Israel para o Egito nesta quinta-feira. Pouco depois, Grapel chegou ao Aeroporto Internacional de Ben Gurion em Tel Aviv.

Reuters
Ilan Grapel abraça sua mãe depois de aterrissar no aeroporto Ben Gurion, em Israel

Israel Hasson, um legislador israelense envolvido nas negociações, afirmou que ele estava "bem" e "sorrindo". Hasson e outro oficial israelense foram ao Egito para escoltar Grapel no voo de uma hora até Tel Aviv.

Horas antes da soltura, seu pai, Daniel Grapel, afirmou que seu filho estava preso em uma área isolada, cuja localização era desconhecida, e que quando se falaram há duas semanas, ele parecia estar em condições normais e "sendo alimentado".

"Eu estou feliz que isso terminará e que ele poderá voltar à sua vida normal longe do Egito", disse Daniel em entrevista por telefone em sua casa, em Queens, Nova York.

Sua mulher, Irene, voou até Tel Aviv para encontrar o filho, e ficará lá por pelo menos dois dias para se reunir com autoridades americanas e israelenses antes de voltar aos EUA.

Grapel, de 27 anos, foi preso em 12 de junho no Egito acusado de ser um espião para recrutar agentes e monitorar eventos durante a revolta que derrubou em fevereiro o presidente Hosni Mubarak , um aliado tanto dos EUA quanto de Israel, em meio aos protestos da Primavera Árabe que varreram países do norte da África e Oriente Médio.

AP
Um comboio da Autoridade Prisional Israelense transportando prisioneiros egípcios atravessa a fronteira

O acordo mediado pelos EUA foi alcançado dias depois de cumprida a primeira fase bem sucedida de uma troca entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas que libertou o soldado Gilad Shalit em troca de 1.027 prisioneiros palestinos .

A mãe de Grapel disse no momento da prisão de Ilan que seu filho, um estudante de direito nos EUA, estava trabalhando para uma ONG que presta serviços a refugiados. Grapel emigrou para Israel em 2005 de Nova York e serviu nas Forças Armadas israelenses em uma guerra de 2006 com o Hezbollah no Líbano.

Israel disse em comunicado na segunda-feira que os prisioneiros egípcios soltos em troca de Grapel não foram acusados de crimes relacionados à segurança. A maioria, segundo o governo israelense, estava presa por crimes relacionados ao tráfico de drogas.

Os três menores de idade incluídos na lista foram os primeiros a atravessar a fronteira para o Egito. Em entrevista a uma TV estatal de Cairo, dois deles disseram não ter sido mal tratados durante o cárcere. Ambos afirmaram ter sido presos depois de atravessar a fronteira ilegalmente para vender cigarros contrabandeados. O terceiro não concedeu entrevistas.

Musalam Barakar, um adulto, diz que ficou preso por mais de seis anos. "O tratamento em Israel era duro. Eles discriminavam os não-israelenses. Eles faziam a gente se sentir forasteiro por todo o tempo."

Imagens da TV mostraram alguns homens de joelhos, beijando o asfalto depois de terem atravessado o portão de metal que marca a fronteira. A TV estatal se referiu aos prisioneiros como "heróis" e "asrah", termo árabe para prisioneiros de guerra.

Grapel se mudou para Israel, onde vivem seus avós, quando era jovem. Ele serviu no Exército obrigatoriamente, durante a guerra de 2006 no Líbano, e foi ferido em uma das batalhas. Ele depois voltou aos Estados Unidos para estudar.

No momento da prisão, ele estava fazendo um estágio legal em uma organização sem fins lucrativos no Cairo e planejava voltar aos EUA para fazer seu último ano na faculdade.

Grapel nunca fez segredo sobre suas raízes israelenses e entrou no Egito usando seu verdadeiro nome. Sua página pessoal no Facebook tinha fotos dele usando uniforme militar. Tamanha exposição de sua identidade dava a entender que Grapel não era um espião.

Sua prisão foi ridicularizada até mesmo no Egito, país que tem mantido relações tensas com Israel. Elas  pioraram quando cinco agentes de segurança egípcios foram mortos durante um tiroteio na fronteira de Israel, em agosto. Oito israelenses também foram mortos por homens armados que atacaram uma estrada.

AP
Parentes dos prisioneiros libertados aguardam em Taba, na fronteira com Israel

Israel pediu desculpas ao Egito pelos disparos no início desse mês como Cairo cobrava, citando uma investigação conjunta que mostrou que policiais egípcios tinham morrido "como resultado de tiros das nossas (israelenses) forças".

Manifestantes egípcios invadiram em setembro a Embaixada de Israel em Cairo , jogando documentos pela janela e derrubando parte do muro que compunha sua fachada.

O Egito foi o primeiro país árabe a assinar um acordo de paz com Israel, em 1979.

Com AP, EFE e AFP

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