Israel e ANP iniciam negociações de paz durante visita de Mitchell

Segundo Erekat, diálogo teve início neste domingo e deverá ser anunciado formalmente em 24 horas

iG São Paulo, com agências internacionais |

O início das negociações indiretas de paz entre israelenses e palestinos sob mediação americana neste domingo coroou com sucesso a visita à região do enviado da Casa Branca, George Mitchell.

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, revelou que o processo de diálogo já iniciou e revelou que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, liderará a equipe palestina. "Podemos dizer agora que as negociações indiretas já começaram e que durarão quatro meses", declarou aos meios de comunicação Erekat após o encontro que mantiveram Mitchell e Abbas na sede do governo da ANP em Ramallah.

AP
George Mitchell (esq.) se encontra neste domingo com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas

O enviado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixa neste domingo a região após manter rápidas sessões com os líderes de Israel e da ANP nos últimos cinco dias, em uma tentativa de obter um compromisso para o diálogo político com a sua intermediação.

Surpreendendo os meios políticos e a mídia local e internacional, o porta-voz americano informou que o enviado especial de Obama, o ex-senador George Michell, desta vez levou a Washington sugestões concretas dos israelenses para serem estudadas. Ele voltará durante a semana com ideias americanas sobre o que recolheu.

Washington também anunciou que os israelenses assumiram o compromisso de suspender todas as construções inclusive na vizinhança de Jerusalém pelos próximos dois anos “para contribuir para uma atmosfera favorável ao sucesso das negociações”.

Erekat, chefe do departamento de Negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), insistiu que o americano declarará formalmente o reatamento das negociações indiretas, denominadas de "conversas de proximidade", nas próximas 24 horas, anúncio no qual dará maiores detalhes sobre a natureza do diálogo.

As negociações abordarão todas as questões relativas ao estatuto definitivo de paz, como fronteiras, segurança, a capital Jerusalém, assentamentos, refugiados e água.

As palavras do negociador palestino ocorrem depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou em Jerusalém, na reunião semanal de seu Conselho de ministros, que Israel espera que o diálogo indireto conduza a uma conversa pessoal com os palestinos, o que deve acontecer dentro de quatro meses.

"É impossível fazer a paz à distância ou por controle remoto", manifestou o chefe do Executivo israelense antes de destacar que o novo processo analisará "questões críticas como a segurança e o interesse nacional".

Netanyahu às boas-vindas à decisão do Comitê Executivo da OLP - encarregado da negociação com Israel - de apoiar a nova via de diálogo e destacou que a postura de seu governo "foi desde sempre que tudo transcorra incondicionalmente às prévias".

Com relação a isso, Erekat afirmou que "Netanyahu não tem direito de falar de condições prévias, enquanto continuar construindo nos assentamentos judaicos".

Volta de diálogo

O novo diálogo indireto coloca um fim a 16 meses de interrupção brusca do processo de paz, resultado da ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que enterrou as negociações lançadas em Annapolis (EUA) no final de 2007.

A conversa recomeça após o apoio que a OLP, o Conselho Central do Fatah e a Liga Árabe deram na última semana a Abbas para negociar com Israel, após superar o empecilho dos assentamentos judaicos.

A ANP exigia a completa paralisação da construção nos territórios palestinos ocupados da Cisjordânia e Jerusalém Oriental para retomar o diálogo, condição que Israel rejeita oficialmente. No entanto, a construção em Jerusalém Oriental está paralisada, em um aparente pacto de silêncio que teria aberto a porta para o diálogo.

O Hamas, movimento islamita palestino, que rejeita todo diálogo com o Estado judeu e controla Gaza desde junho de 2007, tachou de "absurdo" o novo processo.

O vice-ministro de Assuntos Exteriores do governo do Hamas em Gaza, Ahmed Youssef, indicou que seu grupo enviou uma carta ao presidente americano e a outros dirigentes ocidentais na qual explica os efeitos do bloqueio israelense sobre a Faixa de Gaza, onde reside 1,5 milhão de palestinos. Na carta, o movimento islamita reitera que poderia aceitar um Estado nas terras palestinas ocupadas por Israel em 1967, mas "sem reconhecer" o Estado judeu.

Papel americano

De acordo com o governo americano, eles serão os juízes do comportamento dos dois lados, atentos ao que possa ser considerado como falha ao que foi ou vier a ser combinado com Michell. Daí pode ser entendido que aos Estados Unidos caberão na prática um papel de parte ativa logo bem mais do que de intermediário um fator com propostas próprias,

Cabe lembrar que dois anos corresponde a prazo previsto para se chegar a uma paz ou a substancial progresso na direção de uma solução. Em dois anos Obama decidirá se tentará ser reeleito.

* Com informações da EFE e do correspondente do iG em Israel, Nahum Sirotsky

(Atualizada às 18h04)

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