Israel é alvo de críticas por acelerar construções em territórios ocupados

Comunidade internacional condena decisão anunciada em resposta à admissão palestina à agência cultural da ONU

iG São Paulo |

Reuters
Imagem mostra assentamento israelense de Qedar, na Cisjordânia
O governo israelense foi alvo de duras críticas nesta quarta-feira, um dia depois de anunciar uma retaliação à admissão dos palestinos à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Em resposta à vitória palestina na agência cultural da ONU, Israel ordenou a aceleração das construções em Jesrusalém Oriental e na Cisjordânia e congelou provisoriamente a transferência de recursos à Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu defendeu a medida em fala no parlamento. "Construiremos em Jerusalém porque é nosso direito e nossa obrigação, não um castigo, mas o direito fundamental de nosso povo", declarou.

Uma autoridade americana que não quis ser identificada afirmou que o governo do presidente Barack Obama está “profundamente desapontado” com o anúncio de Israel. Ainda não houve pronunciamento oficial dos Estados Unidos sobre o assunto.

O chanceler britânico, William Hague, chamou a decisão israelense de "provocação”. “Esse programa de assentamentos é ilegal pela lei internacional e o anúncio mais recente de uma série de anúncios provocativos e que não ajudam em nada”, afirmou, em comunicado.

Por meio de seu porta-voz, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a construção de assentamentos em territórios ocupados “é injustificável e ameaça o objetivo que todos devem buscar: uma solução de dois Estados”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Bernard Valero, afirmou que a colonização na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental é “ilegal e constitui uma ameaça para a solução de dois Estados”.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou que a decisão de Israel é “preocupante” e pediu que o governo volte atrás em sua decisão.

Uma autoridade israelense disse que a nova construção é uma resposta às medidas unilaterais recentes dos palestinos, dando como exemplo a aceitação na Unesco - um órgão-chave da ONU. Em 23 de setembro, o presidente da ANP, Mahmud Abbas, pediu ao Conselho de Segurança da ONU o reconhecimento de um Estado palestino . A medida deve ser votada ainda neste mês. Depois da entrada na Unesco, os palestinos estudam os procedimentos de adesão a outras 16 agências da ONU .

Os palestinos reivindicam o fim de todas as construções nos assentamentos israelenses antes de as negociações de paz serem retomadas. Israel rejeita isso como precondição, insistindo que a questão dos assentamentos será resolvida quando as fronteiras forem definidas durante as conversações.

Com BBC, AFP, EFE e AP

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