Buenos Aires, 26 jul (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse que a influência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em outros países sul-americanos fortalecerá os radicais da região.

"A interferência (de Chávez) em assuntos internos de diferentes países sul-americanos, com seu dinheiro e seu financiamento de campanhas políticas em outros países, é uma influência muito negativa. Acho que sua intenção é dominar a América do Sul", declarou Lieberman numa entrevista publicada hoje pelo jornal argentino "La Nación".

O diplomata, que entre quinta e sexta-feira se reuniu com empresários e representantes do Governo em Buenos Aires, também se referiu ao Executivo da Venezuela como um "regime radical" que mantém "estreitas relações" com o Irã, país que é "uma ameaça ao mundo todo".

"O fato de (Chávez) ter sido o primeiro a reconhecer o resultado das eleições no Irã significa um verdadeiro desafio à comunidade internacional", ressaltou Lieberman, que aconselhou os países sul-americanos "a se preocuparem com o regime da Venezuela".

Sobre o Irã, o chanceler israelense disse que "é um regime demente e muito perigoso". "É uma ameaça para Arábia Saudita, o Egito e outros países", porque seu programa nuclear gerará "uma desenfreada corrida armamentista".

"O Irã é um grande patrocinador de atividades terroristas no mundo. O envolvimento do Irã em atividades terroristas na América do Sul é real. Ocorreram dois ataques terroristas na Argentina. O Irã esteve por trás desses atos terroristas", disse o diplomata.

O chanceler afirmou ainda que "a penetração de grupos terroristas" na região da Tríplice Fronteira "é uma verdadeira ameaça" para Brasil, Argentina e Paraguai.

"As pessoas devem entender que, se esses grupos terroristas não são combatidos, todos terminarão tolerando-os", enfatizou.

Nesse sentido, Lieberman voltou a pedir ao Conselho de Segurança (CS) da ONU que tome "decisões claras nas próximas três semanas e sancione o Irã pela proliferação nuclear".

"É estranho o Irã, com todo o petróleo e o gás que tem, precisar tanto de energia nuclear. Também é estranho que, para ampliar essa capacidade nuclear pacífica, tenha que desenvolver mísseis de longo alcance", advertiu. EFE ms/sc

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