Israel diz que empregará firmeza necessária para proteger fronteiras

Por meio das redes sociais, palestinos programam para domingo nova marcha de ativistas e refugiados às fronteiras israelenses

iG São Paulo |

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira que deu às forças de segurança "instruções claras" para que atuem "com comedimento, mas com a firmeza necessária" perante uma eventual chegada em massa de manifestantes a suas fronteiras no domingo.

"Como qualquer outro país no mundo, Israel vigiará e defenderá suas fronteiras. Portanto, minhas instruções são claras: atuar com comedimento, mas com a firmeza necessária para proteger nossas fronteiras, nossas localidades e nossos cidadãos", disse Netanyahu em uma conferência em Jerusalém, segundo um comunicado de seu escritório.

Após as ações de 15 de maio na comemoração da Nakba (Catástrofe), termo que os palestinos usam para descrever a formação do Estado de Israel, em 1948 (quando milhares de palestinos foram desalojados), grupos pró-palestinos convocaram novos atos para o próximo domingo, por ocasião da Naksa, o início da Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em 15 de maio, manifestantes do Líbano, Síria, Faixa de Gaza e Cisjordânia se dirigiram às fronteiras com Israel.

Netanyahu responsabilizou nesta quinta-feira "Irã, Síria, o grupo libanês Hezbollah e o movimento islâmico palestino Hamas" pelas "provocações" na comemoração da Nakba, na qual 15 morreram : dez na fronteira libanesa, uma no norte de Gaza e outros quatro nas Colinas do Golan, onde cerca de 180 manifestantes conseguiram atravessar a cerca de separação e entrar na área controlada por Israel.

Por isso, o Exército israelense se prepara para enfrentar no domingo uma nova chegada em massa de manifestantes, incluindo refugiados palestinos. "Estamos prontos para qualquer coisa que possa ocorrer", disse uma fonte do Exército sob condição de anonimato.

O militar afirmou que as Forças de Defesa de Israel estiveram nas últimas duas semanas "vigiando as fronteiras norte e sul do país e avaliando a situação em Judeia e Samaria (nomes bíblicos para o território palestino ocupado da Cisjordânia)".

Além disso, a cerca foi reparada e reforçada com arame farpado e foram estabelecidos mais postos de vigilância. O jornal "Haaretz" informou nesta quinta-feira que as fronteiras com a Síria e o Líbano serão reforçadas com tropas na sexta-feira e no sábado, sobretudo nas regiões onde há maior potencial de atrito.

O Executivo de Netanyahu avisou que responsabilizará os governos de Beirute e Damasco se voltarem a ser registrados episódios como os de 15 de maio, afirmou o serviço de notícias israelense "Ynet".

Mobilização por redes sociais

Na terça-feira, o general comandante das Forças Armadas de Israel, Benny Gantz, disse perante a Comissão de Assuntos Externos e Defesa do Parlamento que Israel enfrenta diversas ameaças simultâneas à sua segurança, sendo a rua árabe "o novo ator no cenário do Oriente Medio”.

Para ele, exemplo disso foram as manifestações pelo Nakba, numa ação inspirada e promovida por meio das redes sociais.

A mesma mobilização está sendo feita para os protestos programados para o domingo. O comitê organizador do protesto de refugiados palestinos ao longo da fronteiras de Israel também sugere que os manifestantes lotem o aeroporto de Ben Gurion com bandeirolas palestinas.

O comitê, cujos membros não se identificam, diz que ninguém deve portar armas, sendo a manifestação pacífica, e não um levante. Os manifestantes são instruidos a evitar quaisquer atos de violencia. As marchas, promete-se, continuarão “até os refugiados voltarem para onde viviam em 1948, ano da criação do Estado de Israel".

Os promotores da iniciativa também apelaram para que a ONU “assuma a responsabilidade pelo retorno como estipulado por resolução 194 “ aprovada há 63 anos. E inclui pedido para os países fronteiriços - Egito, Jordânia, Síria, Líbano - que não impeçam os palestinos em seus territórios de participar da marcha.

*Com EFE e colaboração de Nahum Sirotsky, de Israel

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