O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert anunciou nesta quarta-feira durante uma reunião pública em Tel Aviv que Israel está disposto a ir longe nas concessões para conclur um acordo de paz com a Síria.

"Estamos dispostos a ir longe nas concessões à Síria, que serão de qualquer forma dolorosas", declarou Olmert em um discurso transmitido pela televisão pública israelense.

Sem especificar a natureza destas "concessões", ele elogiou o fato de que "após uma paralisia de oito anos, Israel e Síria estejam novamente falando de paz, em vez de atacar um ao outro".

"A negociação vai demorar muito, não vai ser fácil e não nos iludimos (com relação à Síria)", frisou.

Porém, "estou convencido de que a possibilidade de sucesso (das negociações) é maior do que o risco de fracasso", prosseguiu.

Olmert também destacou os "perigos no âmbito da segurança" que enfrenta Israel em sua fronteira norte, com a Síria e com o Líbano.

Além disso, o premier elogiou o papel da Turquia na retomada das negociações e revelou que contatos discretos "haviam sido empreendidos há mais de um ano".

Depois de uma paralisia de oito anos, Israel e Síria anunciaram nesta quarta-feira ter iniciado, sob a intermediação da Turquia, negociações indiretas sobre a retirada israelense das colinas de Golan, conquistado em 1967, em troca de um acordo de paz.

Patrocinadas por Washington, as negociações de paz entre Israel e Síria haviam sido interrompidas em 2000 por falta de consenso sobre a questão de Golan.

De acordo com uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, mais de dois terços dos israelenses são contrários a concessões à Síria sobre uma retirada das colinas de Golan, um território conquistado em junho de 1967, em troca da paz com Damasco.

Segundo o estudo, 70% dos israelenses são opostos a concessões à Síria, e 22% são a favor.

Além disso, 57% das pessoas entrevistadas consideram que há uma relação entre o anúncio da retomada das negociações com a Síria e os problemas internos enfrentados pelo primeiro-ministro Ehud Olmert, que pode ser indiciado por financiamento ilícito.

Para 58% dos entrevistados, Olmert "não tem mandato" para negociar a paz com a Síria.

A pesquisa foi realizada com amostra representativa de 550 pessoas, com uma margem de erro de 4,5%.

ms/yw

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