Israel descumpriu promessa à UNRWA de não atacar sede da agência em Gaza

Genebra, 5 jan (EFE).- Os responsáveis da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos (UNRWA) tinham recebido garantias de que sua sede em Gaza não seria bombardeada, pouco antes do ataque sofrido na quinta-feira, afirmou hoje um representante da organização.

EFE |

A sede principal da agência humanitária das Nações Unidas sofreu ontem um ataque aéreo, no qual três pessoas ficaram feridas e foram perdidas "centenas de toneladas de alimentos, material médico e de emergência, como colchões e lençóis".

Assim afirmou o representante da UNRWA em Gaza, John Ging, que disse, em conferência telefônica a partir desta cidade que, desde a noite da quarta-feira e até a manhã da quinta-feira, houve "fortes bombardeios" nos arredores de sua sede, aonde chegaram cerca de 700 pessoas buscando abrigo.

Nas proximidades, havia reservas e caminhões com combustível, no total "cerca de 10 mil litros de combustível prontos para serem distribuídos", disse.

Nessas circunstâncias, "informamos às Forças Armadas de Israel sua localização (do combustível), pois havia o perigo de uma explosão em massa. Infelizmente, a área foi bombardeada", disse Ging.

Momentos antes do ataque, "o pessoal do UNRWA tinha deslocado os caminhões a outro lugar, para que não incendiassem. Evitamos um desastre de proporções", disse o responsável da ONU em Gaza.

Sobre a intenção dos bombardeios, Ging disse que preferia "não especular" o respeito, mas que estava claro que "não podemos ter confiança" no que dizem os funcionários israelenses com os quais sua agência mantém contato.

"As palavras devem ser referendadas por ações. Já houve tantos incidentes com comboios, pessoal e edifícios" da UNRWA, lembrou.

No entanto, esclareceu que o problema não são os funcionários que servem de ligação entre a ONU e as autoridades de Israel, "mas o sistema que está por trás deles. A conexão com o comando operacional obviamente não está funcionando".

Ressaltou que, apesar disso, sua entidade continua informando detalhadamente e coordenando suas atividades e movimentos com os interlocutores israelenses.

O representante da UNRWA negou de maneira taxativa a insinuação de um porta-voz do Governo de Israel no sentido que houve tiros (de artilharia) a partir da sede da ONU, na tentativa de justificar o ataque.

"Essa acusação é totalmente infundada", respondeu Ging, após indicar que são tentativas de "desinformação que servem como distração de uma série de ataques inaceitáveis" contra o organismo internacional.

Segundo os cálculos mais recentes, a UNRWA abriga em seus estabelecimentos 45 mil deslocados por causa dos combates, mas o número de pessoas que tiveram que deixar suas casas é muito mais alto, porque muitos foram recebidos por parentes ou amigos.

A porta-voz da UNRWA em Genebra, Elena Mancusi, acrescentou que, depois do ataque de ontem, aconteceu outro incidente quando as forças israelenses dispararam um míssil contra um veículo que estava perto de uma escola do organismo.

"O míssil errou seu alvo, mas caiu em frente à entrada da escola, ferindo quatro crianças e um idoso", disse. EFE is/an

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