Israel deportará 120 ativistas pró-palestinos dentro de 48 horas

Ativistas estão no país para participar de semana de atividades de apoio à causa palestina na Cisjordânia

iG São Paulo |

Israel deportará nas próximas 48 horas 120 ativistas pró-palestinos de diferentes nacionalidades que chegaram ao país para participar de uma semana de atividades de apoio à causa palestina na Cisjordânia.

"Ao todo, 120 pessoas serão devolvidas nas próximas horas aos países de origem por questões de segurança", confirmou o porta-voz da policial israelense, Micky Rosenfeld.

AFP
Palestinos e ativistas protestam contra controversa barreira em Ramallah, Cisjordânia
A policia de Israel prendeu europeus e americanos que desembarcaram no aeroporto internacional do país, com o objetivo de viajar à Cisjordânia para participar de atos de solidariedade com os palestinos. Os ativistas da França, Holanda, Espanha, EUA, Bélgica e Bulgária foram detidos imediatamente após desembarcarem no Aeroporto Ben Gurion e, depois de serem interrogados, foram transferidos para diversas prisões onde deverão aguardar a deportação.

De acordo com os ativistas, seu plano original era participar de um programa chamado "Bem-vindos à Palestina", organizado por grupos europeus e palestinos. Entre os participantes, o principal é o Movimento de Solidariedade Internacional, fundado há dez anos, que costuma enviar ativistas para a Cisjordânia, para participar de diversos tipos de atividades, inclusive manifestações contra a ocupação israelense e de auxilio a agricultores palestinos na colheita anual de azeitonas.

O ministro da Segurança Interna de Israel, Itzhak Aharonovitz, utilizou o termo ''hooligans'' para qualificar os ativistas.

Contrários à ocupação

Na sexta-feira, organizações civis internacionais e palestinas anunciaram a chegada de mais de 600 ativistas que pretendiam participar do evento e declarar na fronteira sua intenção de "visitar a 'Palestina'" o que, garantem, normalmente não o fazem para evitar que Israel impeça sua entrada. O objetivo era denunciar a ocupação israelense dos territórios palestinos e o controle da entrada à Cisjordânia.

Além dos ativistas detidos em Israel, cerca de 200 participantes foram barrados em diversos aeroportos europeus, pelas próprias companhias aéreas, depois que receberam uma "lista negra" de Israel. As autoridades israelenses informaram às companhias aéreas que não permitiriam a entrada dos passageiros listados e que as empresas teriam que arcar com as despesas de deportação.

De acordo com o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, os ativistas poderiam "perturbar a ordem pública".

A representante da Autoridade Palestina junto à União Europeia, Laila Shahid, condenou os países europeus e as companhias aéreas, que, segundo ela , "obedeceram a decisão de Israel de colocar cidadãos europeus em listas negras". "Ninguém sabe em que se baseiam essas listas, nem que crimes essas pessoas cometeram, exceto tentar manifestar solidariedade", afirmou a representante palestina.

Ativistas que foram barrados na Europa anunciaram que pretendem processar as companhias aéreas e denunciaram o que chamaram de "cumplicidade" das empresas com Israel.

O Serviço de Prisões de Israel informou que 40 ativistas foram detidos nas últimas horas e transferidos à prisão de Ber Sheva, no deserto do Neguev, no sul do país, segundo o serviço de notícias Ynet. Segundo o jornal Haaretz, companhias aéreas que deverão transportar os ativistas presos em Israel disseram que não será fácil encontrar lugar nos aviões para eles, pois esta época do ano é de alta estação e todos os voos para a Europa estão lotados.

*Com EFE e BBC

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