Israel deporta mais 250 ativistas nesta quarta

Cineasta brasileira está em grupo que deve seguir para a Turquia nas próximas horas

iG São Paulo |

O governo de Israel começou a deportar nesta terça-feira um grupo de mais de 250 ativistas que tinham sido detidos na operação militar contra seis barcos de uma frota que planejava furar o bloqueio israelense à Faixa de Gaza.

Reprodução
A brasileira Iara Lee, em foto publicada no Facebook
Segundo informações que a embaixada brasileira em Israel obteve das autoridades israelenses, a brasileira Iara Lee já deixou a prisão de El'A, em Be'er Sheva, e deve embarcar para a Turquia nas próximas horas.

A cineasta brasileira Iara Lee, que estava em uma das embarcações que integravam a frota de ajuda humanitária a Gaza atacada por Israel na segunda-feira , será deportada para a Turquia junto com 60 cidadãos turcos que aguardam no aeroporto de Beng Gurion.

De acordo com a embaixada, a brasileira estava na lista de passageiros da frota como cidadã americana. Ela vive em Nova York há 20 anos e não se sabe se ela seguirá para o Brasil ou para os EUA após pousar na Turquia.

Além dos voos para a Turquia, 123 árabes, entre elas 30 jordanianos, já cruzaram a fronteira com a Jordânia pela ponte Allenby. As demais pessoas são oriundas do Bahrein, Kuwait, Marrocos, Síria, Argélia, Omã, Iênem e Mauritânia, assim como da Indonésia, Paquistão, Malásia e Azerbaijão, segundo a agência oficial jordaniana Petra.

Eles foram recebidos com palmas e cantoria depois de 10 horas de espera. A libertação para a Jordânia foi conseguida por meio de um acordo alcançado pelo cônsul jordaniano em Israel, Issam al-Bodur. Pelo pacto, Israel concordou em enviar os participantes da Jordânia, Mauritânia, Kuwait e Síria de ônibus para a Jordânia e, de lá, para seus respectivos países.

AFP
Ativistas comemoram libertação no ônibus que os levou para a Jordânia

Israel anunciou na última terça-feira que deportaria nas "próximas 48 horas" todos os ativistas estrangeiros detidos a bordo de um comboio de seis navios com ajuda humanitária destinado à Faixa de Gaza, que está sob bloqueio desde a tomada de controle pelo grupo islâmico Hamas, em 2007.

A frota humanitária, de seis barcos, era integrada por 682 pessoas de 42 nacionalidades. Quarenta e oito ativistas permanecem hospitalizados.

Prazo

Na noite de terça-feira, Israel anunciou que pretende deportar todos os detidos até quinta-feira. "Não queremos ver ativistas estrangeiros em um centro de detenção israelense, então decidimos acelerar o processo de deportação e nossa esperança é ter todos esses ativistas fora do país dentro de 48 horas", disse o porta-voz do governo israelense Mark Regev.

Apesar de atender aos apelos pela libertação dos ativistas estrangeiros, o governo israelense afirmou que o bloqueio na Faixa de Gaza será mantido para evitar o risco de que armas sejam contrabandeadas para a região.

Em Washington, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que o incidente trouxe à luz a "insustentável e inaceitável" situação na Faixa de Gaza, território palestino sujeito a um bloqueio israelense desde que o Hamas assumiu o controle na região, em 2007. "As legítimas necessidades de segurança israelenses devem ser atendidas, assim como as legítimas necessidades palestinas de assistência humanitária e acesso regular a materiais de construção", afirmou.

Investigações

Segundo Hllary, os Estados Unidos apoiariam uma investigação israelense sobre o ocorrido, mas acrescentou que esta teria que ser "imparcial, transparente e ter credibilidade", como tinha sido pedido pelo Conselho de Segurança da ONU. A secretária de Estado americana fez as declarações horas depois de se encontrar com o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu.

Acredita-se que a Turquia seja o país com o maior número de cidadãos entre os ativistas mortos na operação militar de Israel. No encontro com Hillary, o chanceler turco cobrou dos Estados Unidos uma condenação veemente ao ataque.

Também na terça-feira, o presidente americano Barack Obama teria telefonado ao primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, para expressar suas condolências pela perda de vidas no navio de bandeira turca.

Erdogan descreveu o ataque como um "massacre sangrento" e disse que os responsáveis têm que ser punidos. Segundo ele, Israel não deve testar a paciência da Turquia. A Turquia, um dos antigos aliados de Israel, foi um dos países mais críticos ao incidente. Segundo fontes diplomáticas em Ancara, pelo menos quatro dos mortos eram turcos.

Nova ajuda

Desde o incidente, um outro navio transportando ajuda humanitária, da ONG Movimento Gaza Livre, partiu da Irlanda para Gaza em mais um desafio ao bloqueio israelense. Segundo os organizadores, ele deve chegar à região até o fim da semana. Cinco dos passageiros a bordo são irlandeses, entre eles a prêmio Nobel da Paz Mairead Maguire, o que fez com que o primeiro-ministro irlandês Brian Cowen apelasse por sua segurança.

"Se algum dano for causado a algum de nossos cidadãos, as consequências serão graves", disse ele ao Parlamento na terça-feira. Ele disse ainda que Dublin pediu a Israel que garanta que o barco "complete sua viagem desimpedido e possa descarregar sua carga humanitária em Gaza".

Com o aumento da pressão internacional pelo fim do bloqueio de Israel a Gaza, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, ordenou, na terça-feira, a reabertura da passagem na fronteira do Egito com a cidade de Rafah, na Faixa de Gaza. O governo egípcio afirmou que o objetivo da medida é permitir a entrada de ajuda humanitária no território palestino, mas não esclareceu se a decisão será permanente ou temporária.

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