Israel deporta ativistas detidos em ataque a frota

Cineasta brasileira está em grupo que deve seguir em voo para a Turquia

iG São Paulo |

AP
Mulher mostra mensagem escrita nas mãos pela janela de ônibus que levou ativistas até o aeroporto de Tel Aviv

Israel libertou todos os ativistas estrangeiros que haviam sido detidos na segunda-feira durante a ação contra a frota de barcos que tentava furar o bloqueio israelense para levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Os centenas de ativistas aguardavam ainda no início da noite desta quarta-feira (início da tarde em Brasília) a deportação de Israel no aeroporto internacional Ben Gurion, em Tel Aviv. O grupo deve ser transportado em quatro aviões, três deles com destino à Turquia e o outro, rumo à Grécia.

As autoridades israelenses afirmaram ter decidido não processar nenhum dos ativistas estrangeiros, mas alguns árabes israelenses que estavam nos barcos continuam detidos e podem enfrentar ações judiciais.

Segundo as autoridades israelenses, havia 682 pessoas de 42 países diferentes nos seis barcos interceptados na segunda-feira, numa operação em que nove pessoas morreram.

Na manhã desta quarta-feira, 123 ativistas já haviam sido transportados por Israel até a fronteira com a Jordânia , onde foram libertados.

Eles foram recebidos com palmas e cantoria depois de 10 horas de espera. A libertação para a Jordânia foi conseguida por meio de um acordo alcançado pelo cônsul jordaniano em Israel, Issam al-Bodur. Pelo pacto, Israel concordou em enviar os participantes da Jordânia, Mauritânia, Kuwait e Síria de ônibus para a Jordânia e, de lá, para seus respectivos países.

Brasileira

Reprodução
A brasileira Iara Lee, em foto publicada no Facebook
A cineasta brasileira Iara Lee, que estava em um dos barcos, também seguiu para o aeroporto de Tel Aviv.

Um diplomata brasileiro que estava no aeroporto para dar assistência à cineasta disse que não conseguiu falar com ela, porque as autoridades israelenses não permitiram o contato com os ativistas. Ele disse não saber se ela foi obrigada a assinar algum documento para ser deportada.

Na terça-feira, o Itamaraty havia protestado contra a exigência, por parte das autoridades israelenses, de que os ativistas assinassem um documento reconhecendo terem invadido ilegalmente o país.

De acordo com a embaixada, a brasileira estava na lista de passageiros da frota como cidadã americana. Ela vive em Nova York há 20 anos e não se sabe se ela seguirá para o Brasil ou para os EUA após pousar na Turquia.

A frota humanitária, de seis barcos, era integrada por 682 pessoas de 42 nacionalidades. Nove ativistas morreram na ação militar israelense e quarenta e oito permanecem hospitalizados em Israel.

Turquia

Também nesta quarta-feira, o Parlamento da Turquia aprovou uma resolução que pede que o governo submeta a uma revisão todas os laços militares e econômicos entre Ancara e Tel Aviv.

A resolução também pede a realização de uma investigação independente sobre o ataque israelense aos barcos que levavam ajuda humanitária; uma desculpa formal de Israel e o pagamento de indenização às vítimas. Pelo menos quatro turcos morreram durante a ação israelense.

A Turquia é uma exceção entre os países muçulmanos por ter reconhecido o Estado de Israel desde a sua criação, em 1948, e mantido fortes laços comerciais com o país desde então.

Em um pronunciamento em rede nacional em Israel, o primeiro-ministro do país, Binyamin Netanyahu, voltou a defender nesta quarta-feira a operação das forças de segurança israelenses. Netanyahu descreveu a reação à ação contra a frota como "hipocrisia internacional".

© AP
Turcos protestam contra ataque de Israel contra frota de navios com ajuda humanitária

* Com BBC Brasi e AFP

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